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Blog para contos de ficção científica, literatura fantástica e terror

Terror no Hotel 21


À medida que o táxi vencia a distância do aeroporto ao hotel onde ficariam hospedados, Bia se encantava com a cidade, as luzes, as cores, as pessoas, muitas caminhando pelas ruas àquela hora da madrugada, tudo era novidade.

Resolveu acompanhar o namorado, ou marido, dependendo de como encarava o relacionamento, a um dos vários Congressos de Tecnologia dos quais ele participava durante o ano. Calhou de o evento acontecer em um período em que estaria de férias e resolveu aproveitar. Arrumou as malas e, apesar das reclamações de Rafael sobre o número de bagagens, foi.

Olhou para o braço esquerdo onde costumava carregar o relógio e lembrou que o havia esquecido em casa. Viu o horário no painel do táxi, as pessoas nas ruas e era inacreditável.

– Tem certeza que são duas da manhã, querido?

Rafael olhou rapidamente a namorada. Ela estava acesa, vidrada pela vida noturna do centro da cidade.

– Tenho Bia. Já lhe disse que estão ocorrendo diversos eventos ao mesmo tempo neste período na cidade. Além disso, a vida noturna aqui é sempre agitada.

O motorista ria enquanto escutava a conversa dos dois.

– O hotel que vamos ficar é muito longe do hotel do evento?

Bia fez a pergunta pela terceira vez naquele dia. Normalmente Rafael acharia irritante, mas estava contente de tê-la ali. Olhou para o rosto risonho da namorada para responder.

– São na mesma quadra querida, só que o hotel do evento é na avenida principal e o que vamos nos hospedar é na rua paralela. O hotel do evento estava lotado, só isso.

Ela continuava sorrindo ao descer do táxi e entrar no saguão do hotel. O recepcionista da noite, antes mesmo do registro, já lhes dera as boas vindas.

– Bem vindos ao Hotel 21, o mais antigo da cidade com mais de duzentos anos de existência. O apartamento 203 está arrumado para vocês.

Bia estava impressionada com o tamanho do saguão do hotel, os móveis amplamente espalhados pela área, a movimentação de hóspedes e principalmente o salão de refeições que ocupava todo o mezanino.

– Lindo – disse enquanto abraçava o namorado.

Rafael sempre gostou de hotéis antigos, em geral os cômodos eram maiores que os dos hotéis modernos e o Hotel 21 não era exceção. O quarto era tão amplo que o arquiteto conseguiu fazer uma boa divisão dos ambientes.

– Para onde abre esta porta?

Perguntou ao rapaz que acabara de deixar as malas no quarto. Ele se preparava para sair após ligar o ar refrigerado e mostrar o controle de televisão para Bia.

– A lugar algum senhor, ela não abre. Era a porta antiga de saída ao corredor antes da reforma. O arquiteto resolveu deixá-la para não descaracterizar o interior do quarto. Mais alguma coisa senhor? – Perguntou olhando o casal – Boa noite então.

Rafael foi até o local das portas, abriu a que acessava ao corredor e olhou do lado de fora.

– Provavelmente na reforma colocaram dry wall por fora, querida. Foi um trabalho bem-feito, não tem defeitos visíveis.

Depois do banho ainda conversaram por alguns minutos, sempre as conversas triviais sobre o trabalho dela ou mesmo sobre as duas irmãs, uma de cada um, e seus respectivos maridos, e logo apagaram as luzes. Bia então ligou seu tablet e começou um de seus intermináveis jogos. Rafael, como sempre “apagou” um ou dois minutos depois de deitar.

Rafael acordou com um barulho estranho, apalpou o lado da cama apenas para conferir a presença de Bia que ressonava alto. Levantou e foi até o frigobar, abriu a porta, preocupado com a luz interna para não acordar sua mulher, pegou uma garrafa de água mineral e bebeu quase todo o conteúdo. Sentou à beira da cama e percebeu que uma estranha luz azulada passava por baixo da porta falsa do apartamento. Estranhou, mas resolveu não dar importância ao fato, deitou-se ao lado de Bia e pegou no sono outra vez.

Acordou pela segunda vez, um estrondo alto, como se tivesse caindo alguma coisa. Além disso, o quarto estava claro, a luz azul parecia mais forte. Estranhou Bia não ter acordado porque ela tinha o sono leve. Estava frio, ao menos o ar refrigerado funcionava bem, e ele ajeitou a coberta na mulher. Vestiu a camisa, colocou os óculos, calçou o chinelo e resolveu ver do que se tratava.

Por que tinha luz apenas por baixo da porta falsa? – pensou.

Destravou e abriu a porta que dava acesso ao corredor, tudo escuro. Entrou e fechou a porta, caminhou até a cômoda e pegou o telefone. Pensou em ligar para a portaria e reclamar do barulho quando a luz mudou de cor, tornando-se branca, clareando mais ainda o quarto.

– Não é possível – falou baixo.

Caminhou até a porta, lentamente colocou a mão na antiga fechadura e a testou pressionando para baixo. Puxou lentamente a porta em sua direção, permitindo que a luminosidade entrasse. Fechou-a imediatamente.

Impossível, pensou! Nesse instante a curiosidade de Rafael sobrepôs o medo e a prudência, ele abriu a porta falsa e saiu do quarto. A sensação que teve ao entrar no corredor foi de frio e em seguida formigamento na pele por todo o corpo, como se tivesse recebido um leve choque elétrico. Ouviu a porta fechando e não deu importância, algo o atraia. Andou pelo corredor até ver o motivo da claridade, havia um rombo na parede externa do hotel e parecia ser dia naquele momento.

– Que porra é essa?

A cidade não existia mais, era apenas um monte de edifícios e casas destruídas. Parte do hotel havia tombado, como se algo o tivesse quebrado ao meio – seria terremoto – não era possível. Se assim fosse sirenes de bombeiros e polícia seriam amplamente ouvidas, pessoas se ajuntariam para observar a destruição, mas nada acontecia ali. A claridade do início do dia ainda o incomodava, mesmo assim olhou para baixo, viu algumas pessoas andando pelas ruas destruídas. Uma delas acenava em sua direção, ele automaticamente respondeu.

Chegou a pensar em descer quando o som de sirenes fez com que as pessoas que estavam nas ruas corressem para todos os lados desarvoradamente. Um pensamento veio em sua mente: Bia… Tinha que voltar para achá-la. Quando voltou-se para o corredor semidestruído um flash e um estrondo medonho tomaram sua mente e tudo desapareceu.

*****

Abriu os olhos lentamente. Tinha gosto de sangue na boca e o ombro esquerdo doía muito. Levantou o braço e movimentou-o com um giro lento e dolorido. Não quebrou, melhor assim.

O lugar era amplo e aberto, diversas pessoas estavam ali. Muitas estavam machucadas e eram cuidadas por outras. Levantou-se e começou a andar por entre as camas, até chegar às portas que outrora foram de vidro. Voltou-se olhando para o interior do lugar e achou que o conhecia, mas de onde? Pensou por mais alguns instantes e o local do mezanino imediatamente lhe trouxe a resposta.

– Hotel 21 – disse passando a mão pelos cabelos – estou no hotel 21.

– Isso mesmo moço – falou uma mulher alta com um tapa olhos no lado direito da face, ela lhe lembrava alguém. – Este velho hotel com mais de duzentos anos tem-nos servido de santuário nos últimos tempos.

Rafael olhou os homens e mulheres que estavam à sua frente com surpresa, não apenas pelos trajes que pareciam macacões avermelhados, colados ao corpo, mas também pelos estranhos capacetes.

– O que aconteceu? As coisas estão diferentes, tudo tem aparência velha – disse apontando para as paredes descascadas e em partes sem reboco, e para as janelas tampadas com restos de madeira que permitiam parcialmente a entrada da luz difusa – ontem a noite estava tudo arrumado.

A mulher deu dois passos a frente e aproximou-se dele com um sorriso. Ela ouviu falar de pessoas como ele desde que entrou na academia das legiões, eram como lendas urbanas passadas e repassadas entre eles por gerações. Os anos haviam se passado e quando servia na inteligência surgiu outra pessoa naquelas condições. Ela foi encarregada de fazer contato e descobrir o máximo possível, mas o tempo que passaram juntos foi curto, a outra pessoa era uma mulher doente.

– Olá – disse ela sorrindo e retirando o capacete e passando a um dos homens que estava perto – Sou Júlia Sylla, e você? Quem é você?

Rafael olhou a mulher e o rosto dela era idêntico ao de Bia, exceto pelo tapa olho. A mesma mulher, a diferença estava no estilo de mulher. O mesmo sorriso, sem dúvidas. Quase a abraçou, mas em seu intimo sabia que não eram a mesma pessoa.

– Rafael Mendes. Ontem a noite quando chegamos do aeroporto, estava com minha namorada, Beatriz, estamos hospedados no quarto 203.

Os que estavam com Júlia riram ao ouvi-lo, ela não. Continuou séria e olhou-os nos olhos. Isto bastou para que sorrisos e desdéns acabassem. Ela percebeu que Rafael estava preocupado.

– Preciso subir e procurá-la – disse ele.

Júlia balançou afirmativamente a cabeça. Não perderia a oportunidade de conhecer um daqueles que o ACC (Alto-Comando Científico) denominava de “os outros”.

– Nós o ajudaremos. Lívia e Caio César – apontou dois jovens que estavam a seu lado – vão ajudá-lo. Depois, se concordar, eles o levarão até o comando da minha unidade no segundo subsolo.

Rafael agradeceu e ficou observando a mulher, que obviamente chefiava o lugar, se afastar com outros dois jovens. Olhou para Caio César e viu um olhar estranho no rapaz, sabia do que se tratava, era desprezo. Isso não lhe importava em nada, seu pensamento estava em Bia. Subiram as escadas e procuraram em todos os cômodos dos três primeiros andares restantes do edifício. Para sua surpresa parecia estar em outro lugar, completamente diferente, alguns quartos eram ocupados por grupos grandes de pessoas, outros destroçados e abandonados, todos em precárias condições.

Lívia em nenhum instante saiu de perto do homem esquisito que chamara a atenção de sua comandante. Para dizer a verdade, ele apenas se vestia de modo estranho, nada mais. Foi interessante ver que ele entrou em pânico por não encontrar a mulher sobre a qual havia falado. Quanto a Caio César, ele que se ocupasse com os soldados ou outra coisa qualquer.

Lívia arrumou roupas e calçados apropriados a um ser humano para Rafael vestir, para que, quando a comandante solicitasse, pudesse levá-lo até o comando. Lívia estranhou o fato da comandante informar o local do QG no subsolo, mais ainda, “pedir” que ele fosse até lá, isso não era normal nela.

Mesmo sendo um fã de ficção científica, Rafael achou que aquela situação era por demais esdrúxula. Depois de dormir um pouco e descansar, no final da manhã saiu do hotel e andou nas proximidades, viu as pessoas, conseguiu vislumbrar a arquitetura da cidade, mesmo semidestruída. Percebeu detalhes de tecnologia que ainda não conhecia como o minivisor, ao menos foi o que achou que era, que saia do capacete e se fixava frente aos olhos, e um tipo de bastonete que ficava colado magneticamente no uniforme dos estranhos uniformizados que ele acreditava serem soldados. Se é que eram soldados, ao menos se tratavam como tal. Quanto ao bastonete, sem dúvidas era uma arma. Lembrou que enquanto conversava pela primeira vez com eles, alguns os portavam nas mãos.

Rafael estava agradecido pelos sapatos e principalmente pela calça que Lívia lhe emprestou, assim podia se movimentar sem ficar acanhado com os olhares alheios, afinal andar de pijama por todos os lados era, no mínimo, ridículo. Procurou se aproximar da moça e manter conversa com ela. Perguntou-lhe onde estavam os carros. Percebendo surpresa em seu olhar, questionou sobre o aeroporto, qual sua distância da cidade e algumas outras perguntas que ela não quis ou não soube responder.

Depois de algum tempo ficou sozinho, sentou-se do lado de fora do hotel, onde outrora foi uma rua movimentada, pensando sobre como chegou até ali. Estava vivendo um pesadelo terrível, ou podia ter sido abduzido, ter entrado acidentalmente em algum portal dimensional ou outra coisa que não conseguia imaginar. Precisava conversar com alguém que sabia do que estava falando e essa pessoa parecia ser Júlia.

Quase não percebeu a chegada de Caio César enquanto pensava em sua atual situação.

– Estou falando com você – disse o rapaz olhando Rafael.

– Desculpe. Não o ouvi chegar. Muito menos escutei o que disse.

O rapaz pareceu-lhe mais irritado ainda, mais perigoso.

– Preciso falar com a comandante Júlia – falou para Caio César com o máximo de jeito possível.

– Fale comigo primeiro – disse o outro, colocando a mão no bastonete.

O clima entre os dois estava ruim, então Caio César percebeu que Lívia estava em pé perto dele, tão perto que o desestabilizou.

– Não percebi sua chegada – sua voz parecia sinceramente surpreendida.

Ela parecia mais tensa que Caio, perigosa.

– A comandante o está chamando – informou a Caio César.

O rapaz ainda tentou impor algum controle sobre a situação, mas ela não permitiu.

– Fui eu que o encontrei – disse Caio César, observando o bastonete, na posição letal, nas mãos de Lívia.

– Eu sei – Lívia o olhava fixamente – vou levá-lo agora. Vamos, Rafael.

Lívia exibia um leve sorriso e não tirou os olhos de Caio César nem por centésimos de segundo.

– Agora. – Ela falou.

Rafael se levantou e a situação hostil se desfez como se nada tivesse acontecido. Entraram no hotel e foram em direção às escadas que levavam ao subsolo. Teve vontade de perguntar a ela o que tinha sido aquilo, mas ela ainda estava tensa.

Lá embaixo teve sua primeira surpresa, pois uma unidade militar inteira estava de prontidão. A segunda surpresa deu-se quando entraram em um elevador e desceram por algum tempo até o local chamado de segundo subsolo, um lugar que ocupava praticamente de três a quatro quarteirões da cidade.

A sala pessoal da comandante Júlia Sylla era pequena, verdadeiramente espartana, resumia-se a uma mesa com duas cadeiras à frente e uma por trás, a dela. Uma pequena estante com dois porta-retratos mostrando imagens em três dimensões. No menor apareciam imagens de sua unidade e colegas com o mesmo tipo de farda avermelhada. O outro aparelho mostrava a imagem de duas mulheres mais velhas, sem dúvida parte de sua família.

Júlia Sylla o olhava intrigada. Levantou-se e com um gesto dispensou os dois soldados fortemente armados que aguardavam na porta de sua sala. Olhou para Lívia que fez menção de se levantar para sair, se aquietando ao sentir a mão da comandante em seu ombro. Júlia olhou de lado e colocou em três copos o conteúdo alaranjado de uma jarra e sentou-se em frente a Rafael.

– Estou vivendo um momento difícil, Rafael. Meu superior, o governador continental, quer resultados mais imediatos em relação à crescente ameaça que enfrentamos, e convenhamos, ele está certo.

Ela se aproximou e olhou Rafael nos olhos falando em voz calma e baixa.

– Quero saber de onde vem, quem é você e o que está fazendo aqui.

Rafael pegou o copo, cheirou o conteúdo e bebeu alguns goles – suco de laranja gelado. Olhou a mulher que a seu ver se parecia mais com Bia, a cada momento. Agora até no jeito de falar.

– Tenho certeza que podemos nos ajudar comandante. Saiba que estou disposto a cooperar, só não sei se terei serventia.

Júlia sorriu e ajeitou-se na cadeira. Estava satisfeita com a resposta do forasteiro. Olhou para Lívia que já havia se ajeitado melhor e tirado a mão da arma. Quem ele lhe lembrava? Seu irmão Marco? Túlio Mecena? Não… fixou o olhar nele e aos poucos sua memória foi clareando.

– Meu nome é Rafael Mendes, estava com minha noiva aqui, neste hotel, para dizer a verdade, para uma convenção de Biologia que começaria na manhã seguinte à nossa chegada nesta cidade.

Júlia o olhava impassível.

– De madrugada – continuou – acordei com uma estranha luz por baixo de uma porta falsa que havia em meu quarto e quando a abri vim parar aqui.

– Qual o nome de seu mundo – Júlia perguntou abruptamente. Ela parecia sedenta por algumas respostas.

– Terra – Rafael respondeu sem rodeios – e deste aqui?

– Remo! É claro – respondeu Júlia também sem rodeios. Não havia motivos para desconfianças.

Rafael pensou por breves momentos. Não foi apanhado em algum efeito temporal, ao contrário o tempo parecia o mesmo, as pessoas as mesmas, ou estava em outra dimensão ou em outro universo, um universo paralelo. Mas isto era uma loucura. Tinha que ter outra explicação para aquela situação.

Ou não?

Rafael pensava muito claramente, o fato de ser um aficionado em sci-fi ajudava bastante agora. Remo, pensou, as mesmas pessoas, mas em funções diferentes.

Precisava falar com elas, mas sem parecer um louco irresponsável, só assim ficaria em liberdade e poderia voltar para casa, para Bia. Remo, um dos dois irmãos que fundaram Roma. Aqui nominaram o planeta de Remo. Por que seria?

– A teoria do multiverso – falou preocupado olhando as duas mulheres e dirigiu o olhar diretamente para Júlia e perguntou – você me conhece não é?

Rafael perguntou com todo o cuidado. Não queria de nenhum modo criar melindres.

Júlia não recuou, apenas assentiu positivamente e seu olhar brilhou. Mas é claro, ela pensou, praticamente o mesmo nome. Era Rufus, só que ainda vivo. Sem perceber sorriu para o homem à sua frente.

– Em meu mundo – Rafael continuou – Existia em nosso passado uma grande cidade, uma grande civilização que se chamava Roma. Em nosso V século ela caiu e com ela todo o Império. Constantinopla, a segunda parte do Império Romano, caiu no século X.

Lívia os olhava intrigada. Se não conhecesse Júlia Sylla diria que estava ensandecida. Quanto ao homem, Rafael, achou-o diferente desde o primeiro momento que o viu, quanto mais escutava mais se interessava. É claro que sabia das lendas sobre os portais, afinal quem não sabia? Mas, outro universo? De repente, viu algo que poucos em sua unidade podiam dizer já ter presenciado, um sorriso da comandante.

– Eu conhecia a sua versão nesta dimensão – falou ela – Seu nome era Rufus Sylla.

A mulher desviou o olhar na direção de Lívia que parecia um autômato olhando para o copo de suco de laranja. Parecia ouvir tudo, mas sem escutar nada, pois aquele assunto não interessava a ela.

– Rufus – continuou Júlia – meu marido, morreu há quase três anos durante um ataque dos Zrils. Claro que você não tem as cicatrizes de combate, mas tem cabelos que ele não tinha, além de usar esses vidros à frente dos olhos. Aí estão as diferenças. Vejo que, de onde veio, não evoluíram muito em medicina.

Rafael achou engraçado o comentário da mulher, seu jeito de falar. Então ela perguntou completamente sem rodeios.

– Em seu mundo, quem eu sou para você?

Ele respondeu instantaneamente, sabia que a situação era perigosa. Ele, assim como os Zrils, eram invasores naquele mundo.

– Minha mulher, Bia. O tapa-olhos e o cabelo curto são a única diferença.

Júlia sorriu abertamente enquanto se levantava, juntamente com Lívia, que parecia mais confortável com aquela situação.

– Lívia – disse Júlia olhando para ela – essa situação tem restrição nível cinco. Isso é apenas entre nós.

****

Rafael passou a maior parte da manhã com elas, que lhe mostraram quase tudo sobre o segundo subsolo – uma base militar completa – comandada por Júlia Sylla.

Nos dias que se seguiram aprendeu muito sobre Remo e sobre sua história, como haviam chegado até aquela situação.

Lívia lhe contou sobre um ataque iminente dos Zrils. Contou que cerca de dois séculos e meio atrás eles haviam dominado o sistema de seu sol chamado Romulus e, por fim, começaram a fazer contatos com outras civilizações, algumas compostas de criaturas dignas e boas e outras nem tanto, como um grupo de conquistadores terríveis denominados Zrils, que depois de um tempo, tornaram-se seus inimigos. Ela acreditava que esses seres devem ter feito contato com um grupo de colonos deles enviados no início das explorações para aquele setor da galáxia.

Os Zrils lançaram grandes ataques no último século, fazendo com que os remianos colecionassem derrota após derrota. Tentaram uma invasão completa de Remo com grandes astronaves disparando contra o planeta e enviando milhares de guerreiros para assassinar a população. Não funcionou como queriam pois não conseguiram destruir todos os satélites de combate, principalmente aqueles que haviam considerados como suicidas e, ao se aproximar das naves Zrils, acionavam detonadores de artefatos de plasma, destruindo-as. Sem falar que os Remianos caçaram e mataram todos os invasores, sem excessão. Isto havia dado sobrevida a eles.

Nesta última fase de ataques os Zrils mudaram a estratégia, enviando seus soldados e criaturas modificadas geneticamente por portais dimensionais que causavam grandes destruições nas cidades Remianas e severas baixas na população.

Lívia supunha que os Zrils tentariam um ataque final muito em breve, pois Júlia já expunha a localização do segundo subsolo abertamente. Além disso, a parte oriental de Remo havia se rendido a pouco mais de dois anos, ficando apenas a parte ocidental em uma luta inglória.

– Seu lugar não é aqui – Lívia falou para Rafael enquanto caminhavam nas cercanias do segundo subsolo – você surgiu depois que um ataque abriu uma série de portais. Sua presença significa que os Zrils não tem controle sobre essa tecnologia e isso pode ser de grande serventia para nós. Ela o olhou por breves segundos, pensando se devia ou não dar sua opinião para ele.

– No próximo ataque – disse Lívia – vá na direção dos andares destruídos do Hotel 21, principalmente daquele de onde você veio. Quem sabe não encontra o caminho de volta?

Rafael estava pensativo. Parou de andar e sentou sobre as ruínas de um velho carro abandonado. A última chuva deixou inúmeras poças de água nos buracos das ruas e isso fez com que ele tivesse a certeza que aquele não era seu lugar.

Eu vou tentar, Lívia. Preciso voltar.

– Mas antes a Comandante Júlia quer falar com você. Vamos até o escritório.

Júlia Sylla estava sentada em uma espécie de sofá que não havia na sala na última vez que Rafael esteve lá. Desta vez não tinha suco de laranja e os guardas no lado de fora da sala estavam muito concentrados, agiam como se algo grande fosse acontecer.

– Quero falar com você sobre uma pessoa. Ela foi a última visitante de sua realidade, antes de você. Nós a descobrimos por acaso, ela já estava aqui quando chegamos. Era um dos muitos refugiados que moravam neste edifício e nos outros na cidade.

– Ela não se lembrava do próprio nome, contou que sofreu uma queda quando chegou em Remo e que por falta de ajuda acabou ficando muito doente, e acabou sendo salva por refugiados há pouco mais de um ano. Quando tivemos acesso a ela, a doença havia piorado, a única coisa que se lembrava de sua vida anterior é que veio a procura de seu marido. Chegamos a conclusão que havia batido as costas e a cabeça, provavelmente em uma queda. Mesmo com nossa tecnologia médica avançada, não pudemos ajudar muito.

– Durante um dos ataques dos Zrils o lugar onde ela estava escondida foi atingido e ela sofreu queimaduras, o que piorou em muito sua saúde.

Júlia parou um pouco, estava muito pensativa e preocupada, então continuou.

– Em uma de nossas últimas conversas ela se lembrou que viu uma luz forte no fim de um corredor e foi ver o que era, depois disso não se lembrava de mais nada. Ela podia ser qualquer pessoa, e confesso que na época fiquei curiosa, mas sua saúde debilitada não favoreceu conversas. Ela faleceu logo depois.

Júlia o olhou por um instante e disse a Rafael:

– E com você, o tempo não ajudou. Foi muito curto, apesar de elucidativo. Falei com Lívia ontem e concordo com ela. Seu lugar não é aqui.

– Acha que poderia ser Bia?

Júlia Sylla continuava impassível, fez apenas um movimento de dúvida com os lábios e voltou sua atenção para outras coisas. Ela passou a mão por sobre a mesa de comando e projeções holográficas surgiram mostrando as táticas que havia projetado para a defesa da cidade. Olhou novamente para Rafael.

– Talvez possamos nos ajudar.

– O que eu faço então, Júlia?

– Esperamos para hoje um ataque. Vá para os andares superiores do Hotel e quando surgir a oportunidade, corra em direção ao portal. Salve sua vida.

****

O barulho das explosões eram ensurdecedores, era a segunda vez que aconteciam em poucos dias. Dessa vez estavam mais longe. A correria das pessoas nas ruas, seus gritos de desespero e pavor eram estarrecedores. Rafael percebeu o porque quando viu uma criatura sair de um dos portais abertos, um bem ao lado do Hotel 21.

A criatura media algo em torno de quatro metros de altura e se apoiava em duas pernas traseiras e uma mão dianteira. Movia-se lentamente, provavelmente a gravidade do seu planeta natal era menor. Caio César naquela manhã lhe dissera que estas criaturas enormes causavam terror e medo aos Remianos.

Depois que um dos soldados conseguiu explodir uma granada perto da cabeça da criatura, Rafael percebeu que ela tinha uma enorme dificuldade em respirar. Provavelmente os soldados haviam observado esse detalhe e certamente se aproveitariam disso.

O pobre soldado teve uma morte horrenda – pensava Rafael ofegante atrás de uma parede recém-demolida – ser devorado vivo, falou para si mesmo em um misto de choro e raiva. Esse era o problema, viu dois dos rapazes com quem costumava conversar morrerem brutalmente em poucos minutos.

Foi aí que surgiu a pá carregadeira, esmagando a criatura contra uma parede do edifício em frente ao hotel. A força da máquina era tão grande que a partiu em dois. Mas a criatura ainda tinha uma das mãos livres e a usou para socar por duas vezes, a cabine onde uma mulher operava a máquina. Rafael continuou observando a criatura se arrastar lentamente pela rua, deixando para trás partes de seus intestinos e pedaços de pessoas recentemente devoradas por ela, até que finalmente acabou.

Uma outra criatura passava naquele momento caçando pessoas. Ele estava escondido no segundo andar do prédio e um bloco de concreto pendia para fora da edificação. Tinha que tentar ajudar àquelas pessoas, pensou. Foi preciso apenas um encontrão forte para acabar de derrubá-lo sobre a criatura. Rafael resolveu deixar o medo de lado e desceu para ver a cabeça despedaçada do alienígena, no que restou do asfalto da rua.

Voltou outra vez para onde estava, subindo por entre escombros da edificação que teimava em resistir às explosões e lá aguardou mais alguns minutos. Dali seria fácil subir ao terceiro andar e tentar voltar para onde veio. Só tinha que ver o portal se abrir e garantir que nada viria do outro lado e observar se dava para o corredor do hotel. Se viesse uma daquelas coisas estaria morto e enterrado. Enterrado não, devorado.

De onde estava, Rafael viu um grupo de uns trinta soldados chegarem correndo da base e reparou que eles estavam se preparando para alguma coisa. Apontavam armas para uma das ruas perpendiculares quando outro portal abriu e pela primeira vez olhou para os Zrils.

Os invasores deram cabo rapidamente dos soldados. Entretanto, quando iam avançar outros dois grupos chegaram de lado e começaram a alvejá-los freneticamente. Morreram em segundos.

Rafael já não chorava mais, nem tinha medo, raiva ou o que fosse. Uma luz vinda dos céus atingiu uma parte mais longínqua da cidade causando enorme explosão e gerando calor intenso. Foi seguida de uma segunda rajada de raios, uma terceira.

Os invasores provavelmente decidiram que, se não podiam vencer os Remianos nos combates de solo e ficar com suas cidades, mudariam de tática. Eles que ficassem com as cidades, com tudo destruído e o maior número possível de mortos.

Rafael resolveu descer outra vez e procurar por alguém, fosse quem fosse. Na entrada do hotel viu diversos corpos. Sorriu ao pensar que na morte, Zrils e Remianos estavam juntos, lado a lado. Deu alguns passos a frente e parou em frente a um corpo que reconheceu, era Caio Cesar. Estava segurando seu bastão – percebeu pela primeira vez que este tinha uma lâmina de meio metro acoplada na base – ele a havia transpassado em um guerreiro Zril.

Observou a cena por alguns segundos, os dois estavam estranhamente juntos e Caio tinha um olhar surpreso em direção ao soldado inimigo. Rafael tinha que saber o porque daquela reação, então mexeu no corpo do Zril para se certificar que estava morto e o virou com a parte do rosto para cima. O capacete dele se desprendeu e ele soube.

Seu susto não podia ser maior. Nunca desconfiou. Os Zrils eram humanos, como ele, como os Remianos. Era tão claro! A colônia que se perdeu na parte da galáxia denominada Zril.

Provavelmente nunca se perderam, ao contrário, se estabeleceram lá e construíram suas vidas. Com o passar de anos, de dois séculos ou mais sem comunicação, já não tinham muito a ver com os Remianos, principalmente se passaram a fazer parte de um outro grupo que os aceitou e apoiou.

– Lutamos contra nós mesmos – disse em voz alta – que merda!

Rafael foi o mais rápido possível para o lugar onde haviam se concentrado os disparos. Muitos soldados do segundo subsolo estavam mortos. Ficou procurando por Júlia Sylla até que a encontrou. Estava machucada e com leves queimaduras, mas o uniforme a havia protegido, estava viva. Colocou-a nos ombros e tirou-a de lá, voltando para o Hotel 21.

Um grupo de Remianos, civis e soldados, estava no saguão semidestruído do Hotel com Lívia.

– É nossa única chance de sobreviver – disse ela depois de explicar o que faziam ali – ir com você para seu mundo. Lá nos esconderemos e viveremos com seu povo, nos tornaremos parte de sua civilização, não há nem mesmo problema com idioma. Somos pouco mais de 200 pessoas, ninguém jamais saberá.

Rafael precisava pensar rápido, um portal poderia surgir a qualquer momento, isto é, se já não tivesse surgido. Era um pedido justo, pensou rapidamente, então subiram todos para o corredor do terceiro andar e ficaram em alguns dos quartos esperando. O primeiro portal que surgiu tinha do outro lado uma paisagem muito clara e o ar que passava por ele era frio e pesado, difícil de respirar. Rafael olhou do outro lado do portal e viu apenas areia e pedras, sentiu que era um lugar frio, desistiu rapidamente e retornou enquanto ainda estava aberto.

O segundo portal surgiu poucos minutos depois de o anterior desaparecer, ele o atravessou e viu que do outro lado havia um corredor mal iluminado. Era o Hotel onde ele e Bia estavam. Foi até uma das portas, entrou no quarto e viu que estava em casa. Atravessou de novo e avisou a Lívia e aos outros que correram para o portal e foram atravessando. Ele pegou Júlia Sylla nos braços e atravessou com ela, quase no instante em que o portal se fechou.

****

Rafael andou pelo corredor que parecia sem fim até chegar uma porta em especial. Forçou a porta do apartamento 203 onde estavam ele e Bia e dos quartos adjacentes, e entrou neles com o grupo. Para sua sorte os quartos estavam sem hóspedes.

Júlia se recuperou depois de algumas horas de sono e pela manhã o grupo começou a se desfazer. Lívia havia trazido joias e ouro, assim como todas aquelas pessoas. Então Rafael entendeu o que aconteceu. Os homens, mulheres, e crianças daquele grupo concordaram em entrar em um dos portais e escapar de Remo, fosse onde fosse. Lívia e sua comandante tinham uma opção mais viável para eles, um lugar chamado Terra, de onde Rafael tinha vindo. Por isso precisavam de tantas informações. O raciocínio de Júlia era simples. Enquanto ela e o que restou de sua tropa tentava deter os invasores, Caio e Lívia tentariam convencer Rafael a trazê-los ao seu mundo.

Outro lugar qualquer poderia significar o fim do seu povo. O primeiro problema foram os ataque das astronaves na cidade; o segundo, o grupo de invasores atravessando o portal.

Por isso os soldados lutavam com tanto empenho. Por isso Caio morreu, para que os outros pudessem fugir e esperar, e então atravessar o portal para o lugar certo, para um lugar onde passariam despercebidos e aos poucos passariam a fazer parte da população local.

Lívia e uma outra mulher desceram até a portaria, onde apenas um recepcionista de plantão estava acordado. Elas jogaram um spray perto dele e o homem logo adormeceu. Os outros começaram a descer em pequenos grupos e em menos de trinta minutos não havia mais ninguém ali, além de Júlia e Lívia, que depois de breve despedida saíram do hotel e desapareceram.

Rafael ainda estava com medo. Aqueles corredores estavam diferentes depois de algumas semanas.

Será que Bia era a mulher em Remo? Não, pensou um pouco com mais clareza, Julia teria lhe contado.

Se não era, então Bia tinha ido embora? Pior ainda, será que um dia ela o perdoaria? – Pensava Rafael.

– Que tolice a minha – resmungou baixo para si mesmo – é claro que ela foi para casa. Depois de tantos dias…

A primeira coisa que fez foi voltar para casa, apenas para constatar que Bia nunca retornou. Não pensou duas vezes, no mesmo dia voltou para a capital, para o Hotel. Lá conseguiu falar com o mesmo recepcionista que os recebeu.

– Vocês se lembram de mim, da mulher que estava comigo? – Rafael estava em desespero.

– Sim – falou o rapaz – Vocês sumiram na noite que chegaram. Ficamos sem entender pois haviam pago antecipados os três dias que iam ficar. Depois disso tiramos seus pertences e doamos a uma instituição de caridade, exceto a bolsa da senhora e suas carteiras e documentos que estão no cofre.

– Ela sumiu? – Rafael estava engasgado – Tem certeza?

– Sim – disse o recepcionista – achei que estariam juntos.

A informação arrasou Rafael que saiu do hotel sem saber para onde iria. Seu maior medo tornou-se realidade. A mulher em Remo que Júlia falou era Bia. Era claro, elas se reconheceram e Júlia fez o que pode para salvá-la.

Depois que voltou para casa pegou seu carro e começou a dirigir sem rumo. Em certo momento parou e sentou-se em um banco de praça e lá ficou pensando no que teria acontecido. Bia deve ter levantado e ido atrás dele. Ela por algum motivo havia chegado primeiro naquela realidade e nunca saiu de lá. Disseram não saber o nome dela. Provavelmente mentiram.

Ou não?

Jamais saberia.

Dias depois os familiares de Bia deram queixa de seu desaparecimento e as suspeitas caíram em Rafael, claro. Chegou a ser levado a delegacia. Enquanto aguardava o delegado, um policial chegou para tirá-lo dali.

– Beatriz o aguarda na saída – disse o homem – foi apenas um mal entendido.

Rafael sorriu quando viu Júlia Sylla. Como ela o havia encontrado? pensou.

Júlia estava bonita em um vestido preto colado no corpo, com as belas pernas à mostra e os cabelos arrumados. Ela sorriu e sussurrou em seu ouvido enquanto o abraçava.

– Decidi ficar com você pra mim.

Fim

Um conto de Swylmar Ferreira em 14 de julho de 2019.

Imagem meramente ilustrativa retirada da internet

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Publicado em 14 de julho de 2019 por em Contos.

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A saga de um andarilho pelas estrelas

DIVULGAÇÃO A pedido do autor Dan Balan. Sinopse do livro. Utopia pós-moderna, “A saga de um andarilho pelas estrelas” conta a história de um homem que abandona a Terra e viaja pelas estrelas, onde conhece civilizações extraordinárias. Mas o universo guarda infinitas surpresas e alguns planetas podem ser muito perigosos. O enredo é repleto de momentos cômicos e desconcertantes que acabam por inspirar reflexões sobre a vida e a existência. O livro é escrito em prosa em dez capítulos. Oito sonetos também acompanham a narrativa. (Editora Multifoco) Disponível no site da Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Editora Multifoco. Andarilho da estrela cintilante Por onde vai sozinho em pensamento, Fugindo dessa terra de tormento, Sem paradeiro certo, triste errante? E procurar o que no firmamento, Que aqui não encontrou sonho distante Nenhum outro arrojado viajante? Volta! Nada se perde com o tempo... “Felicidade quis, sim, encontrar Nesse vasto universo, de numerosas, Infinitas estrelas, não hei de errar! Mas ilusão desfez-se em nebulosas, Tão longe descobri tarde demais: Meu amor deste lugar partiu jamais!”

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Bom dia.
Aproveito este espaço para divulgar o livro da escritora Melissa Tobias: A Realidade de Madhu.

- Sinopse -

Neste surpreendente romance de ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. A bordo da colossal nave alienígena fará amizade com uma bizarra híbrida, conhecerá um androide que vai abalar seu coração e aprenderá lições que mudará sua vida para sempre.
Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, a personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, farão de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer.
Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

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