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O MURO, A LÂMINA E A AMPULHETA


– Obrigado! – diz o caroneiro para o motorista da caminhonete – Me ajudou muito.

O velho atrás do volante sorria com a boca semi-desdentada, ainda tinha uns quatro ou cinco dentes naturais que a sua mulher insistia que tirasse no dentista da pequena vila onde moravam.

– Por nada amigo! Boa sorte para você na sua empreitada!

– Obrigado de novo – disse o caroneiro sorrindo amigavelmente, afinal passaram as últimas horas juntos e o “velho” era muito legal – pra você também.

Ficou olhando a caminhonete de um vermelho desbotado pelo tempo e que mecanicamente funcionava muito bem se afastar estrada afora. Dali do cruzamento até a rodoviária da cidade eram mais de dez quilômetros, mas não se importava em andar.

Carregava sempre pouca bagagem, uma ou duas mudas de roupas no máximo dentro de uma mochila preta velha e puída, uma garrafa de água mineral e e uma pequena ampulheta que parecia ser de plástico. Além daqueles, seus únicos pertences eram uma pulseira velha de algum tipo de metal e dois documentos, uma identidade e um passaporte que o identificariam, além de um pouco de dinheiro no bolso, tão pouco que mal lhe garantiria as refeições para dois dias.

Não precisou andar tanto assim, entrou em um ônibus com letreiro luminoso indicando que estava indo para a rodoviária da cidade e em poucos minutos chegou lá. Esperava que estivesse mais cheia, com mais pessoas circulando. Foi até um caixa eletrônico e colocou o dedo no leitor de digitais, fez os procedimentos habituais e recolheu o dinheiro, depois foi para o guichê e comprou uma passagem aleatória.

Teria que esperar até o início da noite para a viagem e ainda era meio-dia, talvez um pouco mais. Esperava que seu compromisso aparecesse antes do anoitecer. Do outro lado da rua havia uma praça e depois outra rua com diversos restaurantes e lanchonete, além de alguns trailers de fast food estacionados do lado da praça.

Da rodoviária mesmo escolheu o restaurante que a seu ver chamava menos atenção, andou até lá, entrou e se sentou em uma mesa. Pegou o cardápio de papel, escolheu um dos pratos que já vinha com refresco e sobremesa e fez sua refeição.

Enquanto comia reparou no lugar. Era bem tranquilo e ventilado, as janelas abertas facilitavam o frescor sem que os donos precisassem ligar o ar refrigerado. Havia mais duas mesas ocupadas, a primeira por um casal que mal se olhava enquanto comiam, apenas manipulavam seus celulares e às vezes riam e mostravam um ao outro o motivo de sua satisfação. Um dos aparelhos tocou um alarme, provavelmente o da moça, e o caroneiro viu ambos levantarem apressados deixando dinheiro sobre a mesa, atravessarem a praça quase correndo e sumirem rodoviária adentro.

A segunda mesa tinha três pessoas: duas moças e um rapaz, que ouvia atentamente a discussão entre as moças e às vezes emitia sua opinião quando era solicitado. A conversa animada dos três sempre terminava em risadas altas e felizes. O caroneiro não prestou atenção aos três, apenas estava de cabeça baixa pensando em nada e mexendo com o garfo nas migalhas do que fora uma fatia de bolo quando uma das moças, a de cabelos escuros e olhos negros, levantou da mesa veio até ele ficando em pé a seu lado falou:

– Boa tarde senhor – disse ela olhando para trás e vendo os outros dois que riam sentados na mesa que ocupavam – o senhor acredita que se pode viajar no tempo?

A pergunta seca fez com que o caroneiro a olhasse fixamente nos olhos.

O rapaz estava sério agora. Não pensou que a amiga fosse capaz de ir perturbar alguém que nenhum deles conhecia.

– Deixe o homem em paz Silvia, não está vendo que ele não quer conversa? Muito menos participar de nossas discussões malucas?

Ela olhou o homem intensamente e percebeu que o olhar dele mudou quando fez a pergunta.

– Nós estamos aborrecendo você? – Perguntou Silvia sem pestanejar – É apenas uma questão didática que meus colegas. Dora, JP e eu estamos discutindo e queríamos uma opinião isenta. Pode nos ajudar?

O caroneiro apenas meneou a cabeça positivamente e deu um meio sorriso para a moça. Viu que ela usava uma blusa da universidade local e apontava para a graduação em física.

– Posso tentar.

Silvia se virou para Dora e JP chamando-os para se sentarem na mesa do homem. Dora veio meio que andando meio que saltitando, mas JP estava visivelmente constrangido.

– Não precisa se envergonhar – disse o caroneiro olhando para o rapaz enquanto pegava sua velha mochila de cima da cadeira e jogava no chão puxando com o pé para baixo da sua cadeira, ofertando ao jovem um lugar para se sentar – o que vocês querem me perguntar?

Dora parecia estar excitadíssima com a situação.

– Nós três estamos no último ano do curso de física e começamos uma discussão sobre um tema que hoje é considerado ficção cientifica. Viagem no tempo.

Olhou o rosto mal barbeado do homem tentando ver sua reação, mas ele estava estático como antes. Parecia paralisado olhando-a nos olhos como um aluno tentando entender o que o professor falava.

– Temos três perguntas que o senhor poderá responder ou não. Se não souber, é só nos dizer que vamos embora, de qualquer modo pagamos a conta do seu almoço.

Dora parecia séria agora.

– Podem perguntar – falou o caroneiro.

– Primeira pergunta – disse Dora – O senhor acredita em viagem no tempo?

Os três olhavam o homem à sua frente atentamente. Talvez a resposta fosse o menos importante, talvez o que eles quisessem mesmo era ver sua reação. Ou talvez quisessem saber realmente o que ele pensava sobre aquele tema.

– Segunda pergunta – disse JP – o senhor acredita que se viajar para trás no tempo, ou mesmo para frente, a pessoa poderia mudar aquela linha do tempo?

– Terceira pergunta – falou Silvia – se o viajante do tempo mudar alguma coisa, o que fazer?

Silvia lembrou que eles haviam apostado na reação do homem, ou se ele diria que os três eram loucos, se diria que não sabia do que eles estavam falando ou se ele simplesmente iria embora, satisfeito por alguém pagar seu almoço.

Esperaram por alguns segundos enquanto o caroneiro olhava em seus rostos, como se estivesse decidindo se responderia ou não as perguntas. Finalmente ele sorriu.

– Ok – disse ele relaxado na cadeira – Já que vão pagar meu almoço – sorriu olhando para cada um dos três – me deixem contar uma história. É uma história real que, por incrível que pareça, poderá responder às suas perguntas, ao menos até onde pude entendê-las. O que acham? Querem ouvir a história desse viajante?

Nenhum dos três esperava por aquela pergunta. Silvia, Dora e JP se entreolharam e menearam positivamente a cabeça para o homem à sua frente. Agora ouviriam o que aquele estranho ia falar. Se fosse um monte de besteirol, pensou JP, agradeceriam e iriam embora.

– Claro, conte a história – disse Dora com um belo e genuíno sorriso.

Uma senhora passou gritando na frente do restaurante chamando a atenção de todos. Vestindo um vestido vermelho largo, atravessou a rua na direção da praça e continuou correndo na direção de um ônibus que saia. Ainda puderam ouvi-la: (para essa merda aí, seu filho da puta), ela ainda deu alguns passos até que no ônibus, o motorista acelerou, deixando-a para trás enquanto ela falava outros impropérios.

Sandra Lee estava de passagem comprada para visitar seu irmão em uma das cidades vizinhas, repleta de praias maravilhosas. Seria um viagem curta, seis horas mais ou menos e comemoraria o aniversário do irmão mais velho, veria os sobrinhos e a cunhada e é claro, passearia na cidade e “pegaria uma praia”. Adorava cinema, para dizer a verdade em seu nome não tinha o Lee, mas ela entrou na justiça quando se tornou adulta e inseriu o Lee no nome, por causa de alguns atores estrangeiros dos quais ela era fã.

Mas justo naquele final de manhã passaria “o fugitivo” na televisão? Ela decidiu assistir ao menos a uma parte do filme. Deixou tudo preparado e chamou um taxi para meio dia e meio. O ônibus sairia as 13h30minutos.

Tudo daria certo se não fosse um acidente. O taxi em que ela estava bateu na traseira de outro carro a três quadras de distância da rodoviária. Sandra enlouqueceu.

Correu o mais rápido que pode. Estava com medo de perder o transporte. Se perdesse aquele só haveria outro disponível no meio da noite. Apertou mais ainda o passo. Estava toda suada e muito nervosa. Quando chegou na praça reconheceu as cores da empresa, o ônibus estava saindo, e sentiu o sangue gelar. Gritou alguns palavrões ao motorista, mas nada adiantou. O filho da puta acelerou e foi embora. Acabou de atravessar a praça e foi para a rodoviária. Decidiu que não esperaria. Pegou a devolução do dinheiro depois de um escândalo frente ao guichê – O funcionário fez a devolução depois dos gritos ensandecidos da mulher – atravessou a praça outra vez e foi até um locadora de carros. Decidiu também que alugaria um carro e iria embora. Se passasse pelo ônibus, aproveitaria para dizer poucas e boas ao motorista.

– O nome do viajante – continuou o caroneiro – não tem a menor importância – falou olhando os três.

– Bem – continuou – não é um história longa e segundo o viajante do tempo, começou a cerca de duas décadas atrás na cidade onde ele morava com seus pais e irmãos.  Mas para não os aborrecer com uma história longa demais vou contar o tempo com essa velha ampulheta que conta uma hora ou um pouquinho mais, Ok?

Os três estavam cada vez mais interessados.

– Quem diabos conta o tempo com uma ampulheta nos dias de hoje? – perguntou JP às duas amigas.

O caroneiro continuou.

– Perto de onde o viajante do tempo morava com a família havia um muro antigo que outrora pertencera a um sítio, da época em que existiam sítios na cidade e as estradas eram basicamente de terra ou pedregulhos como era o caso da rua onde ficava o muro. Dizia-se que pessoas desapareciam por lá, e seus pais não queriam que nem ele nem os irmãos passassem por lá.

– Certa vez, quando era rapaz, o viajante saiu em uma manhã bem cedo para ir comprar alguns mantimentos e escolheu daquela vez o caminho mais longo, o do muro. Ele tinha dezesseis anos na época e não acreditava mais em histórias tolas. A manhã estava clara e o sol subia lentamente no céu quando ouviu um zumbido diferente. Não ligou para o barulho, mas teve uma leve tontura. Apoiou-se no muro e continuou a andar até que se viu deitado no chão, como se um peso enorme estivesse em suas costas.

Quando a sensação de enjoo e tontura terminaram, ele percebeu que o muro parecia muito mais velho, faltavam pequenas partes dele, mas em essência era o mesmo. Mas a rua era totalmente diferente, edifícios enormes multicoloridos estavam em toda a parte e muita, muita gente com roupas estranhas estavam por toda a parte.

Foi quando percebeu que as pessoas o olhavam, como se ele fosse diferente. O que estaria errado, pensou. As roupas, claro. Um homem parou de caminhar e o ajudou a levantar.

– Está bem garoto? Vai para onde?

– Ia comprar algumas coisas na padaria – disse ainda zonzo.

O homem o olhou estranhamente e um carro diferente, um dos muitos, parou quase a sua frente. Não tinha pneus. Flutuava a poucos centímetros do solo. Dois homens vestidos de branco pararam e imediatamente o tomaram pelos braços.

– Quem são vocês?

Um deles o encarou de perto e pareceu ponderar se respondia ou não.

– Somos os vigilantes – disse um deles colocando-o no carro – não se preocupe que vamos ajudar você.

Pareciam apressados ao levá-lo embora.

O interior do carro se encheu de fumaça levemente amarelada e ele apagou de novo.

Quando acordou, sentou-se na cama ainda meio zonzo e observou o lugar. Parecia um dormitório, estava vazio, sendo a cama dele a exceção. Procurou um banheiro e depois voltou para a cama onde estava e viu que havia roupas para ele, vestiu-se e saiu.

Andou pelos corredores cheios de pessoas que o olhavam ser ver, até descer um lance de escadas e atravessar uma porta enorme e vislumbrar um jardim onde era esperado por uma mulher sorridente.

– Olá – disse o jovem.

Ela pareceu mexer no equipamento nos ouvidos.

– Olá, bem-vindo à cidade central de Taicun. Sou Marla Pida – disse ela sorrindo – você parece bem melhor. Eu estava te aguardando.

– Taicun? Como eu vim parar aqui? Como…

A jovem fez um sinal para que ele ficasse em silêncio.

– Temos um compromisso agora. Fiquei de levar você a um lugar do qual irá gostar. Vamos?

Atravessaram o jardim e entraram em um prédio que foi o lugar onde ele foi reeducado e treinado para se adaptar à nova realidade. Seriam anos de adaptação. Dali para frente sua vida mudou completamente. Conheceu pessoas que o ajudaram a se ambientar naquele novo tempo.

Nos dias que se seguiram ele compreendeu o que aconteceu, passou através de uma anomalia temporal natural e se viu em um período no futuro, e que possivelmente teria que se adaptar no lugar, e como outros anteriormente a ele, jamais voltaria para casa.

Foi exatamente aquilo que ele fez nos anos seguintes. Se adaptou.

Com o passar dos anos chegou à conclusão que o melhor para ele seria trabalhar com o grupo que o acolheu e acabou sendo designado para uma das equipes que tinham como missão procurar e achar pessoas que por motivos diversos não se adaptavam e fugiam para o que era conhecido como “a borda” – locais nas cidades onde trabalhos não eram reconhecidos, estudo não era necessário, leis de nada valiam e a vida humana tinha pouco valor. Essa equipe era conhecida como os arautos.

Ele, que era conhecido agora como o viajante, se adaptou muito facilmente àquele tipo de trabalho. Gostava do que fazia. Havia se especializado em levar de volta à cidade central todo o tipo de fugitivos, desde jovens humanos descontentes com suas famílias, passando por criminosos notórios que para a borda fugiam, até alienígenas que apenas queriam ficar no planeta, mas não tinham autorização, desde aqueles que eram boas criaturas até aqueles violentíssimos que se recusavam a deixar o planeta. Fosse qual fosse o motivo, entregar o capturado aos seus pais ou entregá-lo à justiça, seja dos Estados ou de seus mundos.

Foi exatamente um desses casos que o levou a um dos grupos mais sigilosos que eram conhecidos como os arautos do tempo. Em sua maioria os membros desse grupo eram desconhecidos e integravam outras equipes. Mas quando trabalhavam em sua função, procurar fugitivos temporais, essa era a prioridade.

Naquele período do tempo o grande problema era o custo dos equipamentos de viagem temporal. Eram absurdamente caros e nem todos os Estados podiam arcar, ficando às vezes um equipamento sendo usado por diversos deles.

Por isso os arautos do tempo cuidavam desses dois casos de viajantes temporais, os propositais e os inadvertidos, e eles eram muito selecionados. Claro que havia casos especiais onde raras pessoas descobriam anomalias temporais e ou fugiam ou apenas se perdiam para sempre em outros períodos. Aquele fora o caso do viajante.

Para esses dois tipos de viajantes temporais, quando havia sinais claros de algum desvio na linha temporal, eram mandados arautos para observar. Isso funcionava para viagens ao passado.

– E se a anomalia os enviasse ao futuro? – Perguntou uma vez a Marla.

Ela ficou muda por alguns segundos e o viajante percebeu uma certa tristeza em seu olhar.

– Nós sempre enviamos um arauto – ela falou. Mas seja lá o que for que acontece no futuro, nós nunca soubemos. Apenas constatamos que nenhum deles jamais voltou, nem os arautos enviados, infelizmente.

A tarefa designada ao viajante era idêntica ao dele, um rapaz havia entrado em uma anomalia temporal natural sem identificação, e depois de ser socorrido pelos vigilantes, foi para o período de adaptação à sociedade atual.

Foi surpresa quando ele fugiu durante o período de adaptação para a borda e nunca mais fora visto, até poucas semanas. Ele desapareceu por mais de dois anos e diversos vigilantes e arautos tentaram encontrá-lo, mas fora em vão. Agora ele havia sido sinalizado pelo identificador e coube ao viajante a tarefa de achá-lo.  

Marla foi designada como sua orientadora já que ela não fazia trabalho de campo, seria a responsável em ajudar o viajante enquanto ele estivesse na “borda de Taicun”.

A primeira coisa a fazer foi analisar com Marla sua ficha vital. Começava aos 25 anos o nome na parte superior da tela virtual era Luca Sohn, fez todo o aprimoramento neural e em poucos meses estava apto a exercer atividade na cidade central de Taicun. Então, um dia, ele simplesmente desapareceu do Identificador.

A borda, como eram conhecidos os arredores da cidade de Taicun, era dividida em duas partes, a parte Oeste e a parte Leste. O Leste de Taicun era a área banhada pelo oceano com portos e espaço-portos, uma área com pontos reconhecidamente perigosos.

O viajante sabia que lá era o local de Taicun que mais se parecia com as cidades da linha do tempo de onde ele veio e acabou por se mudar para lá. Foi onde ele entendeu que as sociedades evoluem com o passar do tempo…, mas não tanto.

 O último registro genético de Luca Sohn que constava do identificador era um dos imensos edifícios residenciais. Ele residia em um grupo de blocos onde havia seis mil apartamentos.

O viajante entrou no grupo de blocos residenciais e foi direto ao apartamento de Luca, descobrindo que havia sido invadido e roubado. Ali foi o local onde seu registro desaparecia, e havia leitura de grande quantidade de energia residual encontrada. Que energia residual seria aquela? Por que não foi descoberto pelo identificador?

– Espere um pouco – disse Dora – O que era esse identificador?

O caroneiro sorriu

– O viajante me explicou que eram vários computadores centrais em que os equipamentos temporais eram interligados e que tinham diversas funções, dentre elas ter a localização de todos os seres vivos inteligentes no planeta e estimar para qual período temporal os viajantes iriam.

– Deixe o homem continuar Dora – falou JP impaciente – por favor.

Mas a energia residual fora descoberta sim pelo identificador, por isso se acionou a direção dos arautos que tomou a atitude de enviar um de seus agentes verificar o que estaria acontecendo.

Quando retornou à sede dos arautos, o viajante foi convocado por Marla ao edifício onde ficava o equipamento temporal. Passaram por diversas barreiras inseridas no complexo até que subiram ao centésimo quinquagésimo andar. Lá estava o equipamento. Era chamado de o complexo de Taicun e ocupava os vinte últimos andares da edificação.

– Esse é o diretor Said Hancrov – disse apresentando o viajante ao homem que era o responsável no continente pelas viagens temporais.

– Diretor – continuou Marla – o arauto nos enviou os dados de onde Luca Sohn desapareceu e o identificador concluiu que ele saltou no tempo para o passado e nos deu as coordenadas aproximadas.

–- Certo – Hancrov já esperava os dois – tenho a concordância dos outros diretores para um salto programado. O identificador selecionou cinco possíveis agentes para saltar e a direção geral que comandava os cinco equipamentos temporais selecionou você – e apontou para o viajante.

– Marla, prepare-o para o salto.

O viajante havia se identificado entre os cinco agentes e conforme o diretor ia falando sentia um aperto no peito. Quando viu que ele era o selecionado chegou a sentir o suor escorrendo de sua testa. Ficou surpreso com aquilo. Apesar de saber que estava sujeito àquele tipo de ação, tinha seu próprio apartamento, alguns amigos dos quais gostava muito e naquele instante percebeu que ao entrar na “área do crononauta”, como era conhecido o interior do equipamento temporal, poderia nunca mais retornar.

Marla olhava para o viajante cada vez mais preocupada, haviam ficado muito amigos e ela gostava de tê-lo perto.

– Comecem os preparativos agora para o salto temporal em menos 30 minutos – a voz de Marla soava cada vez mais excitada.

Aos poucos o viajante se recompôs e começaram todos os preparativos. Todas as tecnologias que ele possuía, mesmo alguns implantes foram retirados. Ficou apenas com um implante de comunicação atrás da orelha e um pequeno implante que era multifuncional acima da sobrancelha e que só funcionariam geneticamente acoplados a ele. Por fim entregaram uma pulseira metálica fina que se encaixava perfeitamente em seu braço. Aquela pulseira era conhecida como “a lâmina” e era o equipamento com o qual poderia ser “notado” pelo identificador quando fosse para outra época.

Entrou na sala do crononauta. Ela era branca com detalhes treliçados em dourado. A última coisa que ouviu de outro arauto que o acompanhou foi um quase inaudível “boa sorte”, tudo se fechou, escutou um som fino e a brancura ficou cada vez mais cegante, fechou os olhos sentindo uma vibração por todo o corpo e quando os abriu de novo estava flutuando sobre água.

Caiu na água e sentiu um choque térmico. Aquilo o acordou e ele foi nadando para a margem mais próxima até conseguir chegar em terra firme. Estava todo ensopado.

Uma das primeiras coisas que descobriu foi que para variar havia mais uma guerra no mundo e que apesar de ser a milhares de quilômetros, as pessoas da região pareciam desnorteadas. Teria sido o retorno dele a causa daquilo? A grande questão agora era: como achar Luca Sohn? Seus implantes não marcavam nenhuma energia residual temporal.

Muitos meses se passaram até o viajante conseguir encontrar a assinatura de energia residual temporal. E mesmo assim, foi por acaso. Já havia praticamente desistido quando o implante alertou para a assinatura energética, ele estava no centro da cidade ao entardecer. Parou em uma praça, recalibrou o sensor ótico e começou a rastrear seu alvo. Viu-o pelo sensor a mais ou menos 100 metros.

Mas Luca Sohn estava com algo na mão direita e pareceu ter achado o que procurava quando apontou o objeto para o viajante e imediatamente começou a correr nas ruas movimentadas da cidade.

O viajante foi atrás dele, a princípio andando rápido e em seguida correndo, o que lhe lembrou cenas de perseguição em filmes, só que era a realidade. Será que Luca Sohn conseguira mudar algo até aquele momento? As dúvidas persistiriam em sua cabeça por um longo tempo ainda.

Luca Sohn entrou em um shopping repleto de pessoas com o viajante logo atrás, de início andou pelos cinco andares do lugar até que entrou em um dos corredores secundários de manutenção e adentrou um local exclusivo a funcionários, acionou o equipamento que trazia na mão abrindo um portal temporal. No shopping e nos arredores tudo escureceu em um instante e quase imediatamente a energia voltou. Um flash cegante devido a energia ele desapareceu, como tudo que estava ao redor dele.

O viajante abriu a porta da sala, mas Luca havia desaparecido há alguns minutos

O que quer que fosse que Luca tivesse nas mãos, deduziu o viajante, conseguiu detectar sua assinatura temporal e tinha tecnologia suficiente para sugar energia ao redor e transportá-lo no tempo.

O viajante se sentiu perdido por alguns momentos, frustrado mesmo. Ficou sem saber o que fazer, inúmeros pensamentos afloraram em sua cabeça. Voltou a área comum e viu uma sorveteria, entrou e comprou uma casquinha de chocolate, sua preferida, sentou-se em um dos bancos e pensou no que fazer. Como Luca tinha um equipamento poderoso o suficiente para abrir um portal?

Essa era a pergunta crucial. Foi novamente até a sala de funcionários e viu que ainda havia energia temporal residual suficiente, acionou seu comunicador e enviou um breve relato do que havia acontecido nos últimos meses. Sabia que precisaria de muita, muita sorte mesmo para que Marla a recebesse.

– Como assim? – interrompeu Silvia – Como é que ele mandou esse recado? Só o fato de ambos terem viajado ao passado não mudaria a história?

– Bem… – o caroneiro parecia pesar muito as palavras que usaria naquele momento, deu um sorriso e continuou.

– Luca Sohn provavelmente sim, o viajante não. Esse era o período de tempo certo dele, ou seja, ele normalmente estaria vivo e presente ali se não houvesse se deparado com a anomalia temporal. Não havia resíduos temporais dele. Luca só o viu pelos implantes. A história dificilmente pode ser mudada Silvia, a linha de tempo é em geral estática.

O caroneiro os olhava nos olhos e os três estavam boquiabertos.

– Os viajantes do tempo, que atravessam anomalias temporais são incapazes de mudar eventos significativos no passado apenas por sua presença e talvez seja assim também para o futuro, desde que para ele seja impossibilitado. Trata-se de um paradoxo. Na linha temporal para trás o passado já aconteceu de determinado modo. Para a frente, no futuro, há a probabilidade da existência de pessoas ou organizações responsáveis por assegurar a inviolabilidade da linha temporal evitando assim a criação de uma nova realidade no multiverso.

Já viajantes temporais programados, aqueles que são transferidos na linha temporal por intermédio de tecnologias humanas ou alienígenas, tem que seguir o princípio da consciência e da consequência. Não há livre arbítrio para esses viajantes, apenas a incerteza.

O caroneiro os olhou por alguns segundos, como se pedisse licença e continuou.

A grande questão – sabia o viajante – é que a mensagem foi recebida e que provavelmente não foi por Marla. Se foi ela, foi em outro período existencial. Mas vamos continuar de onde paramos.

Outro flash, desta vez sem falta de energia, e lá estava um pequeno objeto anelado pairando à sua frente. Correu e pegou antes que caísse no chão. De onde seria, pensou. Observou-o na palma da mão por algum tempo. Era um tipo de equipamento, mas seria como a lâmina? Será que sincronizaria com o comunicador? Sincronizou.

O objeto era mais avançado tecnologicamente e parecia alinhado geneticamente a ele, visto que quando o colocava sobre a mesa parecia ficar frio como qualquer pedaço de metal. Os outros implantes sincronizaram também, principalmente a lâmina, e ele pode captar o período e coordenadas onde Luca Sohn estaria. Escutou passos no corredor, pensou em quanto tempo teria passado entre as partidas de ambos. A maçaneta da porta girou, o viajante apertou o equipamento nas mãos sentindo uma vibração leve e fechou os olhos, mesmo assim percebeu o brilho do flash.

Seja quem for que estivesse girando a maçaneta não viu nada quando abriu a porta, apenas um deposito repleto de materiais e escuro.

Um som alto de ambulância acordou o viajante. Ele estava deitado em um beco sujo e fedorento. Primeiro se sentou com as costas encostando na parede para se apoiar melhor e sentiu náuseas e uma terrível dor de cabeça. A mistura de tecnologia era perfeita. O implante ótico e o aparelho, fosse o que fosse, mostrava claramente a leitura residual de energia temporal. Luca com certeza estivera ali e talvez ainda estivesse naquela cidade.

O aparelho parecia grudado em sua mão, ainda estava quente. Se levantou com dificuldade e saiu daquele lugar fedorento antes que ele ficasse totalmente impregnado com o cheiro de mijo e lixo. 

O dia estava nascendo e precisava descansar, mas seus créditos, como no tempo anterior de nada valeriam ali. Foi até o local que o implante indicou e leu em um dos box – Caixa eletrônico – se aproximou colocou a palma da mão no equipamento e viu seu nome na tela. Quem o conhecia ali?

Pensou um pouco e decidiu que ou seria um implante ou o aparelho. Retirou algumas notas, colocou-as no bolso e foi para um pequeno hotel do outro lado da rua. Estava no centrão da cidade. Tomou um banho, dormiu um pouco e saiu para comer em frente à rodoviária. Se divertiu vendo pessoas apressadas correndo para pegar os ônibus com seus destinos diferentes.

Era o início da tarde e o viajante decidiu procurar por Luca Sohn. Saiu do bar onde estava e se afastou uma quadra da rodoviária em uma região densamente povoada. Chegou a esbarrar em algumas pessoas, pois não estava acostumado a andar entre tantas pessoas, mesmo na borda havia uma certa ordem, mas ali era puro caos. Entrou em uma loja de roupas usadas, comprou duas camisas uma calça. Os sapatos ainda estavam bons, ele os havia comprado em Taicum. Trocou a roupa e colocou as antiga em um saco plástico e pediu para o rapaz que o atendia para jogar no lixo. Comprou também uma mochila de lona desbotada, colocou a camisa e uma calça dentro e foi embora.

Ficou se perguntando por quanto tempo teria que procurar por Luca Sohn já que no último salto levou muitos meses até achar o sinal.

O aparelho que haviam mandado – teria sido Marla, se perguntou pela enésima vez – facilitava em muito a procura. Captou o sinal e começou a rastrear. Parecia estar fora da cidade.

Conseguiu um taxi que o levou para fora da cidade, uma região de agricultura e parou em uma vila. Pagou o motorista que foi embora com um sorriso no rosto e dali continuou a rastrear. O lugar estava impregnado com resquícios de energia temporal. Precisava parar em algum lugar, sentar e tentar comer alguma coisa, afinal estava quase anoitecendo.

Levou um grande susto quando um homem idoso, com chapéu de palha na cabeça tocou em seu ombro e lhe deu um sorriso. Trazia algo comestível na mão, mas o viajante não identificou o que seria, apenas que era derivado de milho.

–  Você demorou muito – disse sorridente e lhe oferecendo a comida.

O viajante ainda levou alguns segundos para reconhecer Luca Sohn. O susto fora grande.

– O que aconteceu?

Perguntou assustado.

– O tempo passou, meu companheiro crononauta. Quase quatro décadas. Vivi minha vida inteira pelas redondezas esperando sua chegada. Venha, vamos comer algo aqui na Vila. Minha mulher resolveu ir para a casa da irmã dela na semana passada e ainda não retornou.

Estava anoitecendo quando chegaram na casa de Luca Sohn. O viajante chegou a ficar preocupado se conseguiriam, pois, a caminhonete vermelha parecia falhar às vezes.

– É só um ajuste no motor – disse Luca sorridente antes de chegarem na casa.

Era uma típica casa de fazenda, parecia ser fresca e muito confortável, além de bonita.

– Vamos retomar a conversa Luca? Preciso te levar de volta.

– As coisa mudaram – pegou o aparelho e colocou em cima da mesa – Preciso que veja isso. Coloque seu aparelho ao lado do meu.

Em seguida pareceu uma imagem tridimensional de Mara e Said Hancrov. Eles pareciam estar com mais idade.

– Se estão vendo isso é porque finalmente estão juntos – disse Hancrov – sua missão é evitar que determinada pessoa sofra um acidente. Luca vai inteirar você da missão. Não há muito o que nós possamos fazer ou falar, apenas esperar que você viajante cumpra essa nova fase de sua missão. Boa sorte!

A última parte da mensagem trazia apenas um sorriso de Marla. O viajante jamais se esqueceria dela.

– Ouça bem – falou Luca Sohn – sou de um período meio século a frente do tempo em que você estava, onde você viveu a maior parte de sua vida. Fui escolhido para voltar até aquele período e me tornar um fugitivo para que você fosse designado para me procurar. Tudo isso para evitar qualquer distorção no tempo que sua ausência pudesse causar. Ainda não sabemos por que, mas você tinha que estar aqui, agora, nesse período de tempo.

O local onde você deve estar nas próximas horas é perto da rodoviária da cidade, mas eu não posso te levar até lá. Poderia interferir em alguma coisa pois essa não é minha linha de tempo, então cabe a você fazer isso. Para isso eu trouxe isto – retirou uma velha ampulheta de uma caixa e a entregou ao viajante – que é o instrumento a ser usado para evitar que a pessoa designada desapareça.

O viajante estava confuso, mesmo assim o treinamento de arauto temporal falou mais alto e ele sabia que tinha que seguir as regras e terminar a missão. Veio então para cá e esperou que alguém o contactasse, como vocês fizeram agora a pouco.

JP, Silvia e Dora olhavam perplexos o homem à sua frente. Que história mais esquisita.

– Que horas são? – Perguntou JP assustado.

– Perdemos o ônibus, merda disse ele.

– Espere –Silvia estava boquiaberta.

– Minha nossa – então você é o personagem “viajante” da história?

Mas já está escurecendo – Dora estava perplexa também – e na ampulheta ainda não passou a sua uma hora. Você nos enganou.

– Não – falou o viajante – apenas lhes contei uma história que demorou um pouco mais de uma hora como eu havia citado. E não se esqueçam que foram vocês que pediram minha opinião em relação à viagem no tempo. Eu apenas perguntei se gostariam de ouvir uma história.

– Além disso vocês podem pegar o próximo ônibus que sai em alguns minutos. O campus da sua faculdade é perto daqui. Uns trinta minutos no máximo.

– Pura verdade – Dora estava sorridente – serviu para ilustrar suas respostas ao que perguntamos. Você vai para onde?

– Encontrar um velho amigo.

Dora sorria enquanto JP e Silvia pegavam suas coisas. Foram para rodoviária esperar a próxima condução para o campus.

– Muito legal a história daquele cara! – Silvia também estava contente ao sair porta afora do restaurante.

– Maluco, isso sim – retrucou JP enquanto atravessavam a praça.

O viajante olhou o relógio em cima da porta de saída e passou a prestar atenção em uma pequena TV no lado de dentro do balcão, que anunciava um acidente ocorrido no início da tarde entre um carro e um ônibus que seguia para a universidade local. Testemunhas diziam que o carro fechou o ônibus e eles colidiram saindo da estrada. Não houve sobreviventes.

– O caroneiro balançou a cabeça negativamente. O atendente do restaurante disse que a conta estava paga, ele comprou duas garrafas de água e foi embora. Tinha que andar bastante ainda. Dez quilômetros para ser mais exato.

Já era noite quando chegou ao cruzamento. A caminhonete vermelha estava parada embaixo de um poste com luminária e Luca Sohn estava sentado ao volante.

– Parece que você conseguiu – disse Luca.

O viajante entrou na caminhonete, abriu a segunda garrafa e bebeu a água demoradamente.

– Tomara que sim. E agora?

Olhou para Luca Sohn e viu o sorriso desdentado.

Eu vou para casa – disse ele apontando para o celular – minha mulher está me esperando. Minha vida está aqui e não tenho o que fazer no futuro. E você? O que pretende fazer?

– Eu também gostaria de voltar pra casa, para Taicun, para Marla, mas acho que é impossível?

– Não é não meu caro – disse Luca estendendo a mão e entregando o aparelho ao viajante. Basta você superpor os dois que haverá energia suficiente para o seu retorno. A lâmina o levará de volta para casa.

– Uma última pergunta? Por que você chegou tantos anos antes de mim aqui nesse período?

– Pelo mesmo motivo que você chegou antes de mim no nosso salto anterior. Não existe uma precisão absoluta. Você chegou alguns meses antes de mim daquela vez, agora cheguei anos antes de você. Não há uma precisão absoluta nos saltos. Pelo menos não em nossa época.

O viajante desceu da caminhonete vermelha e se afastou um pouco.

– Boa sorte meu irmão crononauta – disse Luca Sohn sorrindo.

– Boa sorte pra você também Luca. Felicidades. Apertou a mão do homem e olhou em seus olhos. Ele parecia realmente feliz.

Enquanto a caminhonete se afastava na escuridão, o viajante tirou os aparelhos de dentro dos bolsos e os colocou um acima do outro. Sentiu imediatamente um calor nas mãos e uma leve vibração, a luz do poste apagou, e um brilho de flash iluminou a noite.

Fim

Um conto de Swylmar S. Ferreira                                                  em 09 de abril de 2022.

Imagem meramente ilustrativa retirada de: https://www.pinterest.pt/pin/692287773981499712

Um comentário em “O MURO, A LÂMINA E A AMPULHETA

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Publicado em 16 de abril de 2022 por em Contos, Contos de Ficção Científica.

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A saga de um andarilho pelas estrelas

DIVULGAÇÃO A pedido do autor Dan Balan. Sinopse do livro. Utopia pós-moderna, “A saga de um andarilho pelas estrelas” conta a história de um homem que abandona a Terra e viaja pelas estrelas, onde conhece civilizações extraordinárias. Mas o universo guarda infinitas surpresas e alguns planetas podem ser muito perigosos. O enredo é repleto de momentos cômicos e desconcertantes que acabam por inspirar reflexões sobre a vida e a existência. O livro é escrito em prosa em dez capítulos. Oito sonetos também acompanham a narrativa. (Editora Multifoco) Disponível no site da Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Editora Multifoco. Andarilho da estrela cintilante Por onde vai sozinho em pensamento, Fugindo dessa terra de tormento, Sem paradeiro certo, triste errante? E procurar o que no firmamento, Que aqui não encontrou sonho distante Nenhum outro arrojado viajante? Volta! Nada se perde com o tempo... “Felicidade quis, sim, encontrar Nesse vasto universo, de numerosas, Infinitas estrelas, não hei de errar! Mas ilusão desfez-se em nebulosas, Tão longe descobri tarde demais: Meu amor deste lugar partiu jamais!”

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Bom dia.
Aproveito este espaço para divulgar o livro da escritora Melissa Tobias: A Realidade de Madhu.

- Sinopse -

Neste surpreendente romance de ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. A bordo da colossal nave alienígena fará amizade com uma bizarra híbrida, conhecerá um androide que vai abalar seu coração e aprenderá lições que mudará sua vida para sempre.
Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, a personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, farão de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer.
Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

Novo Desafio EntreContos

Oi pessoal, o site EntreContos - Literatura Fantástica - promove novos desafios, com tema variados sendo uma excelente oportunidade de leitura. Boa sorte e boa leitura.

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Convidamos você que gosta de escrever contos e mini contos dos gêneros de ficção científica, literatura fantástica e terror a nos enviar seus trabalhos para serem publicados neste site, com os créditos ao autor, é claro.
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Prezados leitores e colegas. Faço uso do post para divulgar os trabalhos de nosso colega Luiz Amato no site Wattpad.

Literatura fantástica, ficção cientifica, terror

Espaço dedicado à escrita e leitura deste gênero literário.

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