Fantasticontos, escritos e literários

Blog para contos de ficção científica, literatura fantástica e terror

Eight Barrabás – Parte 3 – A cidadela da escuridão


K`Syr olhava-se em um espelho de parede inteira da grande sala. Adorava as casas humanas e não se importava com que os outros Kaltonianos pensassem ou mesmo falassem asneiras tais como: “casas humanas são um luxo de sociedades decadentes” – ou mesmo – “  não acho interessante viver em um espaço onde ao menos três famílias poderiam habitar”. Da última vez que se insurgira contra comentários estapafúrdios, perguntou ao oficial médico:

– Por que generais Kaltonianos habitam com suas famílias em residências que os humanos chamavam Castelos?

E continuou.

– Por que os governadores vivem em mansões grandiosas servindo apenas para suas famílias?

Só não foi presa naquele dia porque os ouvintes tinham medo demais da A`Bkjria – a polícia política kaltoniana da qual ela fazia parte. Aliás, ela era a segunda em comando naquela cidade híbrida.

Adorava o nascer do sol naquele mundo, amava o verde das plantas – ao menos as que sobraram – o mar, e até mesmo dos humanos gostava, em especial de um. Precisava admitir que às vezes gostava mais deles que de seu próprio povo.

Seus ouvidos treinados escutaram um leve ranger da porta de entrada da casa. Quem seria?

– Você está bem K`Syr? Como foi seu dia?

Olhou para a mulher à sua frente que começava a tirar a farda jogando as peças por cima do espaldar de uma das poltronas na sala. Ela ficou nua em um piscar de olhos, como diziam os humanos, e dirigiu-se à piscina da casa. Era uma linda mulher. Pensou se gostava ou não dela. Sorriu. Claro que gostava, K`Xiar era sua irmã de ninhada e sempre se deram muito bem, tanto assim que na ocupação decidiram ficar juntas.

– Hoje aconteceu algo interessante na Torre – falou casualmente para K`Xiar – um de meus informantes trouxe um vídeo em formato antigo dos humanos. Acabei conseguindo visualizar, mas achei tão estranho que trouxe para você ver.

K`Xiar estava no planeta há um tempo razoável e não escondia de nenhum de seus compatriotas o gosto pelos artefatos daquele mundo. Saiu rapidamente da piscininha, foi ao evaporador, pegou uma de suas roupas, um vestido que as humanas usavam, vestiu-se e se sentou em frente a irmã sorrindo.

– Eu não devia ter trazido isso para casa – k`Syr começou falando e retirou do bolso da túnica azul escura um cristal de dados – até agora não sei se o conteúdo disso é informação classificada ou mera ficção – olhou preocupada para a irmã – se for confidencial, simplesmente devolvo, mas se for uma bobagem, um ardil, destruirei.

– Vamos ver então irmã – K`Xiar estava excitada pela curiosidade.

k`Syr puxou a mesa e colocou o objeto em cima de um pequeno visualizador circular. Havia apenas um arquivo no cristal e estava parcialmente corrompido. As imagens estavam muito ruins a princípio e o vídeo irreconhecível, mas aos poucos o pequeno cristal conseguiu a velocidade de giro correta e o som e imagem ficaram perfeitos.

O vídeo parecia ter sido feito em segredo e mostrava um tipo de sala de interrogatório, muito parecida com aquelas que eles usavam na A`Bkjria, ou em locais fora da torre usados como pontos de tortura de humanos.

A sala que aparecia nas imagens tinha as paredes cinzas e rajadas de negro, tendo ao fundo a imagem de um tipo de equipamento indistinguível, estando ou desfocada ou propositadamente corrompida. Mostrava um prisioneiro sem camisa, provavelmente nu, de costas e preso ao detursor mental, um equipamento dos Bgads que obrigava prisioneiros a relatarem apenas a verdade. O vídeo em 3D parecia mostrar as imagens do tal interrogatório após seu início.

– Basta de asneiras humano. Aumente o detursor e que se dane se fritar seu cérebro. Eu quero saber tudo sobre a cidadela.

O urro horrível do homem apenas fazia transparecer sua agonia, a dor equivalia a ter algo quente enfiado em seu cérebro e girando como uma furadeira. Uma voz em agonia começou muito lentamente, quase chorosa e ao mesmo tempo carregada de ressentimentos, se dirigiu ao interrogador Kaltoniano.

– Certo seu desgraçado, vou contar tudo. Embora eu tenho a certeza de que vocês não vão gostar de ouvir.

– Tudo começou quando vocês Kaltonianos implantaram os programas de colonização para a Terra e separaram milhões de famílias. Em meu caso, já não tinha mais família para vocês separarem, meus pais e minha irmã já haviam morrido nos seus ataques no anos anteriores. Fui embarcado daqui para um planeta onde vocês mineravam Kunbinilio. Do espaço porto local nos mandaram direto para as minas de Tars. Pode parecer engraçado, mas até hoje não sei o nome daquele maldito lugar.

O prisioneiro riu demoradamente como se tivesse contado uma piada muito engraçada ou como se houvesse enlouquecido, mas o interrogador apenas lhe bateu novamente nas costas com um objeto metálico brilhante, tendo a ideia de apressá-lo.

Fui levado para uma das minas maiores, onde havia milhares de humanos “colonizadores” fazendo o bom e velho trabalho escravo junto com remanescentes de outras espécies de escravizadas que eu nunca havia visto. Alguns de nós sobrevivemos durante muitos ciclos das três luas do planeta.

O restante de nós, diga-se a maioria, simplesmente morreram de doenças inimagináveis, ou soterrados para sempre nos túneis das minas, ou ao tentar fugir ou mesmo em barracas da área de mineração onde corriam o risco de servirem de repasto para bestas horríveis nativas daquele mundo. Com o passar do tempo alguns de nós começaram a compreender o idioma Kaltoniano e em alguns casos até mesmo falá-lo.

As noites naquele lugar miserável tinham um cheiro acre de sangue humano ou do sangue dos nossos companheiros de infortúnio carregado pelos ventos e eles eram intermináveis.

Nossos companheiros de infortúnio, em especial Um, tinham um modo de falar muito mais prático, usavam sons e gestos e com eles eu soube que havia em outro continente cidades e até mesmo espaço portos que não estavam sobre o controle dos Kaltonianos. Na realidade, aquele era um mundo em guerra.

Com o passar do tempo algumas alianças informais entre as espécies escravizadas foram feitas. Eu descobri um amigo improvável em um dos espécimes dali. O nome dele era impronunciável, eu o chamava Um, era nativo de lá e o único de sua espécie vivo. Convivíamos diariamente nos níveis mais baixos das minas. Ali, dia após dia, conversávamos sobre nossos povos.

Ensinamos muito um ao outro enquanto ele viveu. O que eu mais gostava era ouvir as lendas que Um contava do seu povo. Especialmente uma que ele repetiu diversas vezes que falava sobre um tempo, eras atrás em que uma das luas desceu do céu. Ela era pequena, brilhante e trouxe dentro dela todo o conhecimento dos criadores para eles.

Um dizia que sua civilização floresceu e se destacou até que foram visitados por outras raças dos céus que queriam para eles a lua. Um me contou que um dia ela varreu dos céus aqueles visitantes e que se escondera nas montanhas e lá se perdeu para sempre.

Parou um pouco para pedir água e o interrogador soltou um de seus braços.

– Então – continuou – em um daqueles dias quentes que o ar parecia cozinhar os pulmões percebemos que algo estava errado. Víamos traços de fogo cruzando o céu mesmo de dia, como se houvesse uma luta ou algo assim.

– Fosse o que fosse sabíamos que era diferente. Sabíamos, por escutar as conversas dos guardas e por perceber o medo em seus rostos covardes. Afinal era um mundo em guerra.

– A princípio, vocês Kaltonianos continuavam a dizer que não era nada e nos obrigavam a descer quilômetros e continuar as escavações até que poucos dias depois o solo, mesmo naquela profundidade, tremeu e eu vi pedras se transformarem em pó. Milhares de nós corriam desesperados por túneis que em segundos deixavam de existir, o horror era inimaginável. Os que conseguiram fugir foram para os turbo elevadores e torciam, imploravam, rezavam para conseguir chegar à superfície.

– Quando saí de um deles fiquei chocado com o que vi. Kaltonianos, humanos e os que pudessem se mover eram atacados e massacrados pelo que de início eu pensei serem máquinas, muito maiores e mais bem armados que vocês em suas armaduras. Não eram.

– Percebi rápido que tinha que sair dali, mas que teria que lutar para sobreviver. Vi inúmeros humanos apanharem armas kaltonianas abandonadas ou perdidas pelos que fugiam, principalmente guerreiros mortos e lutarem por suas vidas contra aqueles seres.

–  Depois do que me pareceram horas de batalhas, os intrusos recuaram, por terem muitas baixas. Naquele momento vi que eles lutavam praticamente contra homens do planeta Terra.

– Muitos dos seus estavam feridos e confesso que hesitei em ajudar, mas acabei por fazê-lo, apesar de toda a raiva que sentia. Uma mulher kaltoniana se arrastava em direção ao lugar onde eu estava, as armas de plasma dos intrusos haviam voltado a castigar a área de mineração. Eu corri até ela e a carreguei para o lugar onde eu havia conseguido me esconder. Ela olhava para o ferimento em seu braço, ou o que restava dele, e vi que uma lágrima saiu de seus olhos. Era corajosa, ainda atirava contra os intrusos com a arma apoiada em apenas uma mão. Peguei uma parte rasgada do uniforme dela e amarrei no antebraço. Em seguida peguei a arma kaltoniana e voltei a disparar contra os intrusos.

– Durante parte da noite ela se agarrou a mim, talvez pelo medo de morrer ou pelo frio da noite ou ainda de ser devorada viva por alguma besta que mesmo na batalha se aventurava na área de mineração em busca de algum corpo.

– Tentei perguntar a ela quem eram os intrusos, mas ela não parecia saber. Um tempo depois, ao raiar do dia, algumas naves de combate kaltonianas pousaram e começaram a evacuar os que ainda estavam vivos. Éramos muito poucos.

– Os raios cortavam a neblina rósea da manhã, ela puxou meu braço e apontou para um dos transportes que havia pousado a cerca de trezentos metros. Olhei em seus olhos e vi que ela precisava estar naquele transporte. Me pareceu tão jovem e lembrei de minha irmã. A peguei no colo e corri o mais rápido que pude até a nave e só parei na entrada de um deles quando um dos soldados apontou uma arma para mim. Ele parecia confuso ao me ver com ela no colo.

– Vi que a nave de transporte estava repleta de Kaltonianos e humanos, todos tão assustados quanto o soldado. O soldado a pegou pela cintura e a ajudou a entrar, com um gesto apontou para o interior do transporte mas eu  dei dois passos para trás, ele me olhou e parecia querer tomar uma decisão, então jogou a arma que carregava na outra mão para mim. Não trocamos nenhuma palavra, só pelo olhar nos entendemos. Me pareceu que ele simplesmente desejava:  Boa sorte!

– Corri até meu abrigo a tempo de os ver levantando voo para nunca mais voltar.

– Vi que os raios alienígenas ainda cortavam o ar em busca de sobreviventes, ouvia gritos de humanos em batalha lutando por suas vidas, mas para o azar dos intrusos naquele momento o calor era insuportável e a neblina estava muito mais densa. Eu ouvia também o zumbido alto das máquinas de guerra dos intrusos. Atirei na direção da neblina onde parecia haver movimento e ouvi o barulho de algo grande cair. Pouco depois mais um intruso apareceu em minha frente atirando contra mim e o derrubei também, e outro e mais outro e mais…

O interrogador se movimentava na sala cada vez com mais inquietude demonstrando claramente sua insatisfação com a narrativa do prisioneiro.

– Acha mesmo que um bando de humanos esfomeados conseguiria fazer frente a um ataque de seja lá quem for?

–  Além do mais é mentira que guerreiros Kaltonianos fugiriam de qualquer inimigo disse aos berros, recurvado e o mais perto que pode dos ouvidos do prisioneiro.

O interrogador se afastou com a boca retesada de raiva. Tentava decidir o que fazer com o prisioneiro quando uma segunda voz kaltoniana se intrometeu pela primeira vez.

– Continue o interrogatório, eu estou interessado! dizia a voz distorcida pelo detursor quero saber o que aconteceu e como ele chegou aqui.

O interrogador deu alguns passos para trás e encostou na parede.

continue!  

Um sorriso quase imperceptível brotou dos lábios do prisioneiro, respirou profundamente umas duas ou três vezes e continuou.

Um estrondo e algo grande parecia descer dos céus, algo diferente, formato de losango. Me pareceu ter mais de um kilómetro de comprimento. Foi quando muitos de nós saíram correndo da área de mineração. Me embrenhei no que eles chamavam de vegetação. Olhei para trás e muitos outros pareciam fazer o mesmo.

Me juntei com outras pessoas e seguimos para cada vez mais dentro da vegetação. Horas haviam se passado e eu estava muito cansado. Alguns estavam parando em uma clareira para descansar e resolvi fazer o mesmo. Vi duas pedras triangulares apoiadas uma à outra em uma encosta, me escondi ali agarrado nas duas armas que carregava e dormi.

– Quando acordei, descobri que havia sido abandonado pelos outros daquele grupo e supus que o medo fora maior e resolveram me deixar. Eu compreendi.

– A paisagem não parecia tão feia como antes, apenas a vegetação parecia cada vez mais esparsa e conforme as horas passavam a terra avermelhada se transformava aos poucos em areia vermelha, cada vez mais densa até se tornar negra. O horizonte trazia a cadeia de montanhas que víamos das áreas de mineração para cada vez mais perto com o passar dos dias. Não vi e nem ouvi mais ninguém.

– Naqueles dias de caminhada eu comia o que conseguia encontrar e bebia água amarga de pequenos riachos ou da chuva que caia cada vez mais esparsada. Quando cheguei a base da cadeia de montanhas vi como eram altas e pareciam não ter fim. Comecei a duvidar se as armas que eu carregara por tanto tempo teriam alguma utilidade para mim. Naquele momento não tinha nenhuma esperança de algum dia voltar para casa.

– Andei por alguns dias pela base da montanha, procurava algo que pudesse me ajudar e também apreciava sua beleza. Vi que havia buracos em sua encosta, como se fossem cavernas. Resolvi me aproximar e conforme chegava mais perto percebi que eram mais numerosas do que pareciam a princípio e, pela perfeição como estavam colocadas, não podia ser obra do acaso. Haviam sido construídas por alguém pois formavam desenhos geométricos com uma perfeição inacreditável.

– Demorou algum tempo para eu criar coragem e me aventurar nas cavernas, então subi as encostas e adentrei na primeira delas. Era clara e rasa e parecia haver sinais de algum tipo de civilização nas paredes, como desenhos rupestres. Assim foi em algumas outras que traziam o mesmo tipo de arte, exceto uma que tinha alguns objetos de argila esquecidos na areia. Me detive lá olhando os cantos do salão, vendo o que pareciam ser colunas antiquíssimas incrustadas nas paredes, surradas pelos elementos.

– Quanto mais eu andava na caverna mais eu identificava a existência de algum tipo de civilização, então resolvi voltar para a borda e olhar ao redor a procura de outras cavernas, até que percebi que havia mais uma em uma sombra, um lugar escuro entre as rochas que só era visível olhando de um determinado ângulo. Estava mais acima e de onde eu estava ela parecia levar a um outro lado da montanha.

Subi a distância que me separava dela e entrei. Era escura como breu mesmo durante o sol do meio do dia. Ela era diferente, mais profunda que todas as outras e mais escura. Durante todos aqueles dias de fuga eu havia descoberto que a arma Kaltoniana tinha outras utilidades, dentre elas servia para aquecer água, aquecer pedras à noite, além de emitir um feixe de luz que era o ideal tanto para me proteger nas noites de caminhada quanto para eu explorar aquele lugar.

– Em um dos cantos da caverna, bem ao fundo havia um tipo de portal fechado, como se tivesse acontecido um desabamento de pedras ou se aquelas pedras houvessem sido deliberadamente colocadas ali. A segunda opção me pareceu mais viável e apesar da dificuldade retirei todas e entrei na escuridão total.

– Caminhei por alguns algumas dezenas de metros até chegar em um tipo de escadaria rústica escavada na pedra, que adentrava as montanhas. Subi por ela muito tempo, tanto que por muitas vezes parei para descansar e continuei subindo, passando por alguns corredores tão estreitos que tinha que me espremer por entre as paredes, por salões abandonados em que precisava ligar os feixes de luz das duas armas mostrando o quão belos eles eram. Alguns deles tinha estalagmites vermelhas enormes e afiadas como facas onde era difícil passar.

– Outros salões eram repletos de água escura onde o medo pregava peças aos mais corajosos. Em um deles tive a sensação que algo havia passado por minhas pernas e instintivamente tremi.

– Andei tanto que perdi a noção do tempo e já estava tão cansado que parei e dormi em um dos salões com água, naquele lugar frio e amedrontador. Confesso que pensei em desistir e voltar até que cheguei em um salão gigantesco que se abria dentro da montanha. Lá meus mais loucos sonhos se tornaram realidade.

Era descomunal. Pela primeira vez comecei uma descida até chegar no centro daquela caverna. O que mais me impressionou foi ver que havia uma pequena cidade ali.

Encontrei diversos objetos que pareciam abandonados há muito, muito tempo. Perambulei, em silêncio absoluto, pelo que um dia foram passagens e em frente a lugares que talvez houvessem sido casas um dia. Podia ouvir o eco de meus passos e sentir o breve passar de uma brisa morna vinda do exterior, ou de onde quer que fosse.

– Fui me aproximando de um ponto central na cidadela que, de onde eu estava, parecia um domo arredondado, mas que, conforme eu me aproximava, descobri ser uma estrutura esférica, que parecia possuir um diâmetro de mais de cem metros, talvez mais antiga ainda que a própria cidade. Me aproximei dela e quanto mais perto eu chegava, ela se iluminava até que sua intensidade clareou toda a cidadela, todo o salão da caverna.

– A esfera metálica era enorme, apoiada ou pousada, em uma base hexagonal composta de pedras gigantescas, perfeitamente cortadas que a apoiavam.  A esfera tinha diversas entrâncias e onde devia ser a entrada principal, aberta, estava algo que me impressionou. Um grupo de criaturas mumificadas, enfileiradas como se guardassem aquele lugar. De modo algum eram humanas, se pareciam com alguém que eu já havia visto. Era o povo do Um.

Dentro da esfera gigantesca havia de início um corredor que levava até um cruzamento com outros dois corredores, mas só o corredor em que eu estava era iluminado.  Para onde ir?

Então um outro corredor se iluminou e o que eu estava ficou escuro. Apesar do receio fui seguindo por diversos deles. Mais de uma vez tentei olhar o que havia em algumas das salas, mas a proteção ou porta não sei se tornava opaca e impedia que eu entrasse ou visse o que tinha no lugar. Isso aconteceu até que cheguei em uma sala ampla e repleta de coisas que poderiam ser algum tipo de instrumentaria.

– Em um dos cantos havia um hexágono iluminado no chão e linhas de luzes coloridas corriam do ponto onde eu estava e se dirigiam para lá, como se indicasse o caminho até o hexágono. Pensei, o que tenho a perder?

Quando eu entrei no hexágono uma voz surgiu na minha cabeça e seis objetos surgiram do chão, dois prenderam meus braços e dois minhas pernas, eu estava imobilizado, foi quando percebi que algo macio cobriu totalmente minha cabeça. Estava apavorado e meu corpo não respondia. A voz estava cada vez mais nítida e aos poucos fui compreendendo cada som que eram na realidade palavras e entendi que o objeto havia me ensinado em segundos sua linguagem e escrita. Uma dor profunda fez com que apagasse.

Quando acordei comecei a ler o que havia nas paredes, painéis de instrumentos do interior da esfera. Era muita informação, conhecimentos que sua espécie ou a minha jamais imaginaram. Disse a eles o que eu queria e eles mostraram que duas das portas do corredor estariam abertas e eu poderia levar os objetos que estavam lá. Assim o fiz.

Na primeira porta o objeto estava sobre uma mesa e apesar de grande era leve. Deixei uma das armas ali e peguei o objeto colocando-o nas costas como se fosse uma mochila. Na segunda porta, que estava mais perto da saída da esfera, um objeto único estava no chão. Era estranho e multifacetado e cabia na minha mão.

Saí de lá como se saísse de minha casa, atravessei a montanha por outro caminho e quando vi estava do outro lado da montanha, em um lugar onde eu podia ver as luzes de alguma civilização. Não sei quanto tempo levei para chegar lá, mas haviam inúmeras espécies eu eu acabei passando despercebido. Para voltar eu…

O video ficou turvo com um barulho alto, gritos e disparo de armas kaltonianas e de humanos. Apareceram vultos armados por toda a sala, eles haviam explodido o local seguro da A`Bkjria. K`Syr e K˜Xiar ainda conseguiram ver o interrogador sendo esfaqueado por um dos humanos e outro libertando o prisioneiro. A última imagem no vídeo no visualizador era de um humano apontando uma arma e em seguida os sons altos de disparos contra o detursor.

– O que houve irmã? – perguntou K`Xiar.

– Termina aí.

K`Syr olhava atentamente a irmã. Queria ver a reação dela que permanecia impassível. Ainda esperou mais alguns instantes antes de perguntar.

– O que faço com o cristal de dados? Destruo ou devolvo para a A`Bkjria?

As duas ficaram se olhando até a outra responder.

– Talvez nem uma coisa nem outra – respondeu – uma pena o prisioneiro estar de costas. Vocês sabem quem ele é?

K’Syr não respondeu. Não sabia e não responderia se soubesse.

– Nunca houve indícios daquele interrogatório. Nunca houve indícios de um local da A`Bkjria ter sido “estourado”. Muito menos de perda de interrogadores.

– Se fosse você levaria até a A`Bkjria e o deixaria onde o encontrou – continuou K´Xiar – a oficial que o prisioneiro cita sou eu. Nunca soube quem me salvou aquela noite – se levantou e tocou no braço artificial.

– Ele me protegeu – disse olhando para K’Syr – um humano irmã! Enquanto outros de nossa espécie ignoraram meu sofrimento, salvou minha vida.

Ainda ficaram conversando por um longo tempo, mas não tocaram no assunto. K`Xiar não tinha a menor intensão que o vídeo fosse disponibilizado para o alto comando. Correria o risco que ligassem os pontos e poderiam até mesmo acusá-la de traição, pois havia sido salva pelo humano. Ou mesmo mandá-la de volta a Kaltor e isso ela definitivamente não queria. K`Syr vivia seu próprio dilema só que dividido em duas partes. Agora tinha a certeza de que sua irmã de ninhada era a oficial Kaltoniana citada no cristal e isso, de certa forma, podia dar credibilidade ao vídeo. Por outro lado também podia arruinar a vida dela. Uma investigação mais detalhada certamente a atingiria, mesmo sendo a subcomandante da A`Bkjria.

Continua …

Um conto de Swylmar Ferreira

Imagem meramente ilustrativa retirada da internet

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Publicado às 20 de dezembro de 2022 por em Contos, Contos de Ficção Científica e marcado , .

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A saga de um andarilho pelas estrelas

DIVULGAÇÃO A pedido do autor Dan Balan. Sinopse do livro. Utopia pós-moderna, “A saga de um andarilho pelas estrelas” conta a história de um homem que abandona a Terra e viaja pelas estrelas, onde conhece civilizações extraordinárias. Mas o universo guarda infinitas surpresas e alguns planetas podem ser muito perigosos. O enredo é repleto de momentos cômicos e desconcertantes que acabam por inspirar reflexões sobre a vida e a existência. O livro é escrito em prosa em dez capítulos. Oito sonetos também acompanham a narrativa. (Editora Multifoco) Disponível no site da Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Editora Multifoco. Andarilho da estrela cintilante Por onde vai sozinho em pensamento, Fugindo dessa terra de tormento, Sem paradeiro certo, triste errante? E procurar o que no firmamento, Que aqui não encontrou sonho distante Nenhum outro arrojado viajante? Volta! Nada se perde com o tempo... “Felicidade quis, sim, encontrar Nesse vasto universo, de numerosas, Infinitas estrelas, não hei de errar! Mas ilusão desfez-se em nebulosas, Tão longe descobri tarde demais: Meu amor deste lugar partiu jamais!”

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Bom dia.
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Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, a personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, farão de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer.
Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

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