Fantasticontos, escritos e literários

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Pistoleiros em Boldie


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– De quem foi a ideia idiota de vir a um lugar destes? – Perguntou Cole, olhando a paisagem mista de vegetação rasteira, terra e areia. O sol a pino e a comida racionada levavam-no a pensar se tinha sido uma boa idéia ir para aquele lugar.
Doc Solomon Georges continuava calado, pensativo. Rodavam na carroça de madeira semi protegida do sol por uma lona amarelo acinzentada, velha, rasgada e empoeirada ao menos há três dias e nesse tempo não tinham visto viva alma. No final daquela tarde avistaram uma pequena casa.
– Precisamos ter cuidado Cole, ninguém por estas paragens é bobo. Não se esqueça … estamos no oeste.
– Veja! Estes aí têm poucos animais de criação, um poço afastado, um celeiro pequeno e mal acabado e duas pequenas casas.
Ben Cole observava o lugar com uma luneta velha. A casa, que parecia ser a principal, era feita em parte de pedras superpostas e de troncos de madeira rejuntados com barro, tinha na frente uma porta e um par de janelas, talvez mais uma ou duas janelas na parede posterior. A casa mais ao lado parecia ser o local onde ficava o velho fogão a lenha, tinha uma parede ao fundo e meia parede inacabada no lado direito. A estrutura era para uma família pequena, um homem, mulher e mais quatro, talvez cinco crianças, como era o habitual do período.
– Vamos chegar mais perto Doc, vi luzes de vela e fumaça saindo da lareira. Podemos pedir pousada ao rancheiro e dormir perto do fogo, se tivermos sorte.
Foram devagar em direção a casa. As duas mulas estavam bem cansadas e com sede depois de mais um dia de trabalho, além disso, a água já estava no fim. O rangido das rodas de madeira podia ser ouvido ao longe, pois não tinham sebo para passar nas engrenagens gastas.
– Oh de casa! Gritou alto Cole ainda sentado na carroça. Oh de casa!
Ninguém respondeu, mas a parca iluminação se apagou.
Doc desceu da carroça e bateu a poeira das calças sujas e da camisa grossa. Tirou o chapéu e o lenço, que um dia foi branco e que estava em volta do pescoço. Dirigiu-se à bomba d’água e manuseou-a, colocando a mão em concha para beber. Estava no terceiro gole quando o estouro de um tiro disparado pela janela fez com que se jogasse ao chão. Olhou para ver onde Cole estava e o viu agachado atrás da carroça.
– Doc? Doc, você está bem?
– Estou, Cole.
-Vocês aí dentro, não queremos encrenca. Estamos indo embora. Não atirem.
– Esperem!
Uma voz feminina chamou de dentro da casa. A porta e janelas continuavam fechadas.
– Um de vocês é doutor?
– Talvez! Vocês precisam de um? Perguntou Cole apreensivo.
Cole ficou observando a porta da casa se abrir e uma mulher magra, descabelada, vestida com um camisolão até os tornozelos e descalça sair porta afora com uma espingarda winchester nas mãos. Seus olhos estavam vermelhos e uma criança de pouco mais de um ano estava agarrada no camisolão.
– Vocês podem ajudar? Meu filho está doente. Eu acho que meu marido morreu.
Doc se levantou e andou na direção da mulher, parou na sua frente e a olhou em seus olhos antes de entrar na casa. Cole estava dois passos atrás e segurou a arma da mulher, que a entregou e também entraram na casa.
A casa era pequena como Cole pensou, tinha dois quartos embaixo e um pequeno sótão na parte de cima, onde dormiam as crianças.
– Abra as janelas para mim Cole. Onde está seu filho Sra…
A mulher ainda estava chorando e não entendia o que os homens falavam, olhava perdida na casa repleta de sombras.
– Seu nome mulher, disse Cole olhando para ela enquanto colocava a espingarda em um suporte na parede e abria a porta e as janelas para arejar.
– Hanson. Ann Mae Hanson. Meu filho doutor, por favor, neste quarto. Falou enquanto abria a porta.
Cole resolveu esperar do lado de fora da casa, queria sair do lugar mal cheiroso e se refrescar, beber água e dar água às mulas. Depois de soltar os animais no celeiro, tirou os alforges da carroça, verificou o baú de madeira e sentou-se em uma cadeira do lado de fora. Ouviu o choro alto da mulher, significava que alguém havia morrido.
Doc saiu alguns minutos depois e sentou ao seu lado.
– Vamos enterrar o marido da sra. Hanson e queimar o colchão e a cama de madeira. Ele morreu de peste. O menino está mal, mas é outra coisa, gripe forte talvez, se sobreviver esta noite com sorte escapa.
– Tem certeza? Peste? – Perguntou olhando seu companheiro. Viu Doc balançar positivamente a cabeça. – Ninguém mais morre de peste.
– Vamos ajudar essa família, amanhã vamos para a cidade de Boldie, fica a menos de duas horas de viagem ao norte.
****
Um homem negro, alto e careca que limpava a entrada da barbearia no inicio da cidade observava os dois na carroça. Sorriu e meneou a cabeça em sinal de cumprimento, sendo correspondido por eles.
– Sejam bem vindos, viajantes, disse o homem para eles, que continuaram em frente.
– Então, essa é Boldie – disse Doc, pensando em voz alta, ao mesmo tempo que cumprimentava o homem com um aceno de chapéu.
– Parece. Vou procurar o xerife da cidade e dizer que nós chegamos – respondeu Cole.
Doc desceu da carroça, apanhou a winchester e o cinturão com a arma, colocando-o na cintura. Cole deu um sorriso.
– Não esqueça a estrela – falou enquanto observava Doc colocando no peito a estrela de U.S.Marshal. Saía o médico e entrava o homem da lei, pensou ele.
A cidade era pequena, uma rua ladeada de diversas construções e uma paralela com poucas casas. Em seus bons dias cerca de duzentas pessoas poderiam ter vivido ali. Cole atravessou-a rápido parando ao lado do estábulo e leu a placa nele escrita: A. Jones.
Começou a desatrelar as mulas e colocá-las no pequeno curral ao lado. Um homem baixo e gordo saiu do mercado e atravessou a rua correndo, seguido pelo negro alto.
– Boa tarde, estranho. São dois dólares para guardar as mulas no estábulo.
Cole colocou a mão no bolso do paletó surrado tirando duas moedas e deu-as ao homem que não tirava os olhos da pistola no cinturão, parecia encantado com ela pelas marcas na fivela, ou ainda as duas moedas de prata coladas no cinturão.
O homem era um pistoleiro, pensou Jones temeroso.
– Sei que não é da minha conta moço, mas somos uma cidade pequena, os negócios estão ruins e o banco quase falido – disse enquanto o negro guardava as mulas no interior do estábulo. – O que os traz por essas bandas?
Dois outros homens armados com winchesters chegavam rápido atravessando a rua empoeirada. Pararam a frente de Cole e do homem gordo a tempo de ver Cole mostrar a estrela de U.S.Marshal a Jones.
– Oh Senhor, obrigado disse um dos homens. Ainda bem que chegou delegado. Estamos com um problema enorme.
Cole observou diversas pessoas na rua de terra olhando para ele.
– Meu nome é Cole. Quem são os senhores.
– Desculpe delegado, meu nome é Kirby, sou o banqueiro da cidade e este é Murphy, o dono do hotel e do bar. O homem que chegou com você também é delegado?
– Sim! Disse com certa ansiedade. – Onde está o xerife da cidade?
– Vamos levá-lo até ele, disse Kirby. E continuou: – Ontem um grupo de cinco homens tentou assaltar o banco, levaram o dinheiro do caixa e não conseguiram abrir o cofre. O xerife tentou detê-los e na troca de tiros acertamos um deles, nosso xerife foi baleado no peito e os dois ajudantes morreram.
Cole virou-se para Jones e pediu para que guardasse o baú no estábulo junto com as mulas. Jones sorriu.
– Pode deixar delegado, o velho Ab vai cuidar disso, falou apontando para o negro alto.
****
Doc examinava o xerife O`Brien junto com Al Gordon, o médico que vivia na cidade.
– Esse é o dr. Gordon, Cole. Salvou a vida do xerife – falou enquanto lavava as mãos em uma bacia de esmalte branco. – Dê o conteúdo deste frasco misturado em água para ele Gordon, vai diminuir a febre e fortalecê-lo – falou Doc entregando o frasco ao médico.
– O homem tem um buraco no peito que ainda sangra, falou Gordon com cara surpresa. Onde você estudou medicina?
– Na capital, falou Doc. – Se quer que ele sobreviva dê o conteúdo do frasco, boca abaixo se necessário. Caso contrário o xerife morre em menos de uma hora.
Gordon olhou Doc por alguns segundos e fez com que o xerife bebesse o remédio. Saiu da sala junto com os outros.
– Achamos o ladrão de bancos que baleamos morto a umas dez milhas da cidade, falou Murphy. Recebemos mensagem pelo telegrafo avisando que um bando de malfeitores, entre dez e quinze homens, vinha em nossa direção depois de assaltar um banco em Paradise e matar pessoas lá. Acho que eles não desistirão delegado. E dessa vez vão tentar se vingar.
Cole e Doc se olharam por alguns segundos.
– Essa é sua cidade, falou Doc. O que vocês vão fazer? Pretendem lutar por ela e por suas famílias?
– Sim, disseram Kirby e Murphy ao mesmo tempo. Gordon e Jones balançaram positivamente a cabeça.
– Vamos ajudá-los então. Peguem suas armas e munição e se preparem, creio que eles retornarão em busca de dinheiro, mulheres e vingança. Cole, vou voltar até o rancho Hanson e trazer a viúva e as crianças para a cidade.
– Moses Hanson morreu? Perguntou Kirby. Como?
– Passamos por lá ontem e ele já estava morto. Febre, não sei.
Doc olhava para Cole, sabia que seu companheiro não estava gostando do rumo que as coisas estavam tomando. Estava decidido a não deixar a mulher e as duas crianças no rancho. Se o bando os pegasse matariam a todos.
– Não posso ir com você, falou Cole para Doc. Tenha cuidado e lembre-se que nosso objetivo principal é o dia de amanhã. Lembre-se que nosso objetivo aqui é o jogo.
– Pode deixar Cole. Se precisar durmo por lá e retorno pela manhã. Vai dar tempo.
Cole sabia que algo havia chamado a atenção de Doc no rancho, no inicio achou que fosse a situação difícil da mulher e crianças. Nada disse quando Doc começou a arrumar algumas coisas no lugar, primeiro a improvisação de um local para banho. Pegou uma tina grande e a colocou em um suporte perto da casa, aproveitou um balde velho fazendo diversos furos nele. A idéia era simples: enchia a tina que vazava água por meio de uma calha até o balde e os furos davam a impressão de chuveiro. No outro dia ainda consertaram o fogão e deixaram charque, feijão e farinha que tinham para eles. Cole viu o jeito que a Sra. Hanson olhava Doc, já vira aquele olhar antes. Apesar de magra e mal vestida ela era bonita e Doc percebeu isso.
****
Ann Ranson estava varrendo a entrada da casa quando avistou Doc e a carroça ao longe. Ela correu para a casa, abriu as janelas para circular o ar conforme ele havia mostrado, tirou a camisola suja e se jogou embaixo do chuveiro rústico, lavou-se da melhor maneira possível e correu para vestir o único vestido que ainda tinha e ajeitou as crianças. Doc havia feito um milagre, seu filho estava vivo, seja o que fosse que tivesse no frasco, tinha lhe restituído as forças e devolvido a alegria da vida.
Sabia que ele voltaria.
– Olá Sra. Hanson. Trouxe alguns mantimentos. Tomei a liberdade de trazer roupas para as crianças e um vestido para você.
A mulher o olhava sem falar, agradeceu de cabeça baixa.
– Ann, me chame Ann. Fiz pão fresco com a farinha que vocês deixaram. Vamos comer.
Ela o olhava fixamente, não tinha visto a estrela no peito de Doc da primeira vez.
– Sua estrela é diferente da que usa o xerife O`Brien. Falou tocando rápida e levemente a estrela no peito de Doc.
– A lei é a lei Ann, não há diferença.
– Tire o cinturão, não quero homem armado na mesa – falou enquanto sorria – você é um sonhador. – Continuou olhando o homem sentado à mesa.
– O que tinha no frasco que deu para meu menino ontem? Não consegui ler o que estava escrito. Não era nosso idioma.
– Comprei de um amigo que viveu no oriente muitos anos e aprendeu medicina lá. Ele faz o remédio aqui e me vendeu uns frascos.
A mulher olhou por alguns segundos, levantou-se e retirou os pratos depois de todos jantarem, levando-os para uma pequena área coberta fora da casa, ele foi atrás dela e ficou na porta olhando.
Doc abriu a garrafa de whisky, ainda restava um dedo, talvez menos e bebeu. Verificou a saúde do menino e ele já estava bem, corado brincando com a irmã mais nova. A casa estava limpa e eles pareciam resignados com a perda de Moses Hanson. Pegou o menino no colo e brincou com ele. Tinha os cabelos muito claros, quase brancos como os da mãe.
– Ann, ontem um bando de foras da lei invadiu Boldie, balearam o xerife e mataram dois assistentes e mais um dos cidadãos. Tentaram roubar o banco e foram impedidos. Faziam parte de um grupo maior. Os que escaparam provavelmente foram buscar reforços e tentarão roubar o banco outra vez. Ficamos preocupados com a possibilidade de passarem por aqui, então resolvi vir buscá-los para que possam passar alguns dias na cidade em segurança.
– Não vou sair das minhas terras, falou ela, categórica.
– Não estou pedindo que abandone seu rancho, quero que fique em segurança na cidade, tenho certeza que quer bem a seus filhos. Se os fora da lei passarem por aqui, ninguém protegerá vocês. Ann finalmente concordou, e acertaram de sair nos primeiros raios de sol.
Pegou um cobertor e deu-o a Doc e ficou observando ele sair da casa, vencer a curta distância e entrar no cômodo ao lado da cozinha, surgir uma estranha luz azulada que rapidamente tomou conta de todo o lugar. O que seria aquilo?
Colocou as crianças para dormir e vestiu a camisola, apanhou um lampião e foi andando lentamente até o cômodo. Observou por uma fresta e viu Doc nu deitado sobre o cobertor. A luz saia da estrela na camisa sobre o alforje no chão. Ann viu quando ele falou algo e a luz foi apagando lentamente até desaparecer e ficar apenas a luz do lampião. Ela o observou por instantes e decidiu voltar para casa, quando ouviu a voz de Doc chamá-la.
Já era noite, entrou no cômodo mal iluminado. Doc segurou suas mãos e a puxou contra ele, beijou-lhe a boca e deitou sobre o cobertor. Ela o olhou por instantes, tirou a camisola e deitou sobre ele, fizeram amor até adormecer.
****
Cole ficou mais tranquilo quando viu Doc passar com a carroça em frente à sala do xerife da cidade. Murphy e Jones estavam com ele, e estavam surpresos com o fato do delegado ter passado com os Hanson pela barreira que os foras da lei haviam feito em ambas as estradas que seguiam até as entradas da cidade.
– Está chegando a hora, falou para Doc com visível alegria e excitação.
Murphy estava desconfiado. Estava observando, com a luneta de Cole, o local onde estavam os malfeitores e viu a carroça passar perto de quatro ou cinco homens que faziam cerco perto da estrada. Eles pareciam não tê-los visto.
– Como passou por eles delegado? Eles não fizeram nada.
– Também não sei Sr. Murphy. Não querem que as pessoas saiam, entrar é outra coisa. Cole, vou levar os Hansons ao hotel e já volto. Creio que acontecerá em breve.
Murphy continuou observando os delegados. Cole foi extremamente competente ao colocar os cidadãos em pontos estratégicos para o tiroteio e expedir ordens específicas, principalmente em relação ao banco. Ele disse que se conseguissem chegar ao banco usariam dinamite e era para que todos se afastassem do lugar.
Pegou o delegado Cole pelo braço. – Como ele passou, delegado? Quero a verdade.
Cole estava irritado com Murphy e excitado pela proximidade do conflito. Ele havia passado a tarde e parte da noite aborrecendo Cole, tentando saber detalhes de sua vida. Ficou tão irritado que nem foi ao saloon, foi direto para o estábulo arrumou, uma coberta sobre a carroça e dormiu. Agora o idiota queria a verdade sobre eles, então que seja feita sua vontade pensou. Se era a verdade o que queria, a verdade teria.
– Um oscilador, Sr Murphy, ele ligou um oscilador e ficou invisível perante aqueles homens. É uma das invenções de Tesla, ele nascerá dentro de alguns anos aqui nesta realidade.
Olhou para Murphy que o escutava sem entender nada, pela expressão do homem, ele pensava que o delegado estava louco.
– Nós não o desacreditamos em nossa realidade – continuou – teoria dos universos paralelos, usamos as múltiplas realidades para jogar. Cada ealidade está em um estágio diferente de avanços tecnológicos, por diversos motivos, o que facilita muito para nós, e só achar a realidade correta e vupt, vamos jogar. Se não tivéssemos vindo, vocês todos estariam mortos à noite, mudaremos sua história.
– Do que você está falando homem? Realidade? Jogos? Estaríamos mortos à noite? Não estou entendendo nada.
– É simples Sr. Murphy – disse Cole olhando o homem – em sua realidade esse grupo de bandoleiros chegou em sua cidade ao entardecer, roubou o banco e matou a todos, homens, mulheres e crianças. Um massacre! Nós obtivemos permissão dos permissionários dos jogos e viemos para cá, para jogar, isso fará com que mude levemente a história de sua civilização.
– Está louco? Do que está falando delegado, não entendo absolutamente nada.
– Louco? Não Sr. Murphy. Louco não, apenas jogando e ajudando vocês – falou Cole já arrependido. – Veja, apontou para um grupo de homens cavalgando rumo à cidade e trazendo uma carroça cheia de feno em chamas.
– Não vão passar pela barreira que montamos do outro lado da cidade – falou Cole para os dez homens que estavam ali. Olhou para a barreira e viu Doc apontando para os homens que estavam com ele e dizendo o que deveriam fazer.
Um grupo de cinco homens entrou pela cidade atirando e jogando a carroça em chamas contra uma das edificações que começou a incendiar. Um dos bandoleiros desceu do cavalo e começou a atirar contra os homens que tentavam apagar o incêndio. Derrubou um, atirou na perna de um segundo, aí um grito chamou-lhe a atenção, virou-se a tempo de ver Alphonse Jones atravessar seu peito com um forcado. Caiu lentamente, seus olhos demonstravam uma surpresa quase infantil.
A confusão era total na cidade. Tiros em todas as direções e os foras da lei começaram a morrer no fogo cruzado. Três deles desceram dos cavalos e foram atirando na direção de Kirby e outros homens que haviam conseguido impedir a passagem da segunda carroça em chamas.
Agora a barreira estava em chamas e a confusão era total. Kirby foi atingido na perna e caiu, arrastou-se até uma carroça e tentou recarregar a pistola, viu o delegado Doc Georges sair de trás de uma carroça virada e ir atirando na direção dos homens.
– Duelo de pistoleiros – falou baixo enquanto tentava recarregar sua arma.
Kirby olhava atônito os bandoleiros caindo mortos e o delegado em pé com a pistola Colt peacemaker com cabo de madrepérola ainda fumegando. Viu-o guardar a arma. Jamais se esqueceria daquilo. No dia anterior comentou com Jones no saloon que achava que eles eram muito jovens para ser U S Marshal. Nunca mais pensaria desse modo.
Do outro lado Murphy ajudava um dos homens que havia sido atingido a se levantar. Os cidadãos haviam derrubado quatro bandoleiros antes que conseguissem entrar na cidade, mas três deles haviam entrado e se escondido no armazém fazendo reféns.
Os bandoleiros gritavam que matariam a todos se não lhes desse o dinheiro do cofre e cavalos para fugir.
Um grupo de homens estava com Cole do outro lado da rua, observando o armazém e dois haviam sido mandados para cobrir o fundo e não permitir que ninguém saísse por lá.
– Isso não vai acontecer, gritou Cole.
Silêncio do outro lado.
– Quem é o bravo que toma a frente das ovelhas – gritou um dos homens dentro do armazém.
– As ovelhas mataram cinco de seus homens. Não são ovelhas. São leões. – falou Cole.
– Não interessa. Ou dão o que queremos ou matamos todo mundo.
Cole estava preocupado com os reféns, tinha que tirá-los de lá, mas não negociaria com os bandoleiros.
– Tem quantas pessoas lá dentro Murphy?
– Três ou quatro – respondeu o homem.
Doc chegou junto com mais homens para ajudar no cerco.
– Se anoitecer podem fugir, disse Doc.
– Não pode acontecer, disse Murphy apoiado por Jones e outros homens. Eles podem voltar e querer vingar os amigos.
– Delegado! – gritou um dos fora da lei dentro do armazém.
– Sabemos que tem um delegado. Temos uma proposta – falava um dos bandoleiros aos berros. – Vamos sair. Desafiamos você para um duelo, se vencer liberta os reféns, se perder ficamos com o dinheiro e damos o fora. Aproveitamos o por do sol, o que acha?
As ruas se esvaziaram. Doc e Cole se olharam. Cole recarregou o peacemaker de coronha de madeira e saiu para a rua no mesmo instante que os bandoleiros. Havia uma distância de 50 metros iniciais entre ele e os dois homens, que chegaram mais perto e pararam. Segundos depois sacaram ao mesmo tempo. Três tiros, o último em direção ao solo. Os cidadãos de Boldie viram dois bandoleiros tombarem ao mesmo tempo em que Ben Cole guardava sua arma.
O último bandoleiro saiu atirando, jogou algo na direção de Cole e atirou contra os homens em pé na rua até ter a cabeça estourada por um tiro da espingarda disparado por Murphy.
– Cuidado Cole, dinamite, gritou Doc. A explosão levantou uma nuvem de poeira.
Cole estava em pé protegido por uma forte luz azulada. Ajoelhou-se e passou a mão na barriga, que sangrava.
Doc foi o primeiro a chegar e ajudar o colega. Ab passou rápido pelas pessoas que começavam a cercá-los, tirou um cinturão e o passou ao redor de Cole.
– Depressa ou vamos perdê-lo. Atravessaram os poucos metros que os separavam do estábulo.
Os cidadãos de Boldie acompanharam estupefatos o delegado flutuar na rua até o estábulo e viram Ab abrir o baú que Doc havia guardado lá. De dentro saiu uma luz verde escura que envolveu os três homens. A última coisa que viram foi o delegado Doc dizer uma frase estranha antes de desaparecerem.
– Fim de jogo.

Um conto de Swylmar Ferreira

Figura ilustrativa retirada do site: http://www.deviantart.com/art/Vol-I-The-Gunslinger-129923289

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Publicado às 15 de junho de 2014 por em Contos, Contos de Ficção Científica, Contos Fantásticos e marcado .

A saga de um andarilho pelas estrelas

DIVULGAÇÃO A pedido do autor Dan Balan. Sinopse do livro. Utopia pós-moderna, “A saga de um andarilho pelas estrelas” conta a história de um homem que abandona a Terra e viaja pelas estrelas, onde conhece civilizações extraordinárias. Mas o universo guarda infinitas surpresas e alguns planetas podem ser muito perigosos. O enredo é repleto de momentos cômicos e desconcertantes que acabam por inspirar reflexões sobre a vida e a existência. O livro é escrito em prosa em dez capítulos. Oito sonetos também acompanham a narrativa. (Editora Multifoco) Disponível no site da Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Editora Multifoco. Andarilho da estrela cintilante Por onde vai sozinho em pensamento, Fugindo dessa terra de tormento, Sem paradeiro certo, triste errante? E procurar o que no firmamento, Que aqui não encontrou sonho distante Nenhum outro arrojado viajante? Volta! Nada se perde com o tempo... “Felicidade quis, sim, encontrar Nesse vasto universo, de numerosas, Infinitas estrelas, não hei de errar! Mas ilusão desfez-se em nebulosas, Tão longe descobri tarde demais: Meu amor deste lugar partiu jamais!”

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Bom dia.
Aproveito este espaço para divulgar o livro da escritora Melissa Tobias: A Realidade de Madhu.

- Sinopse -

Neste surpreendente romance de ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. A bordo da colossal nave alienígena fará amizade com uma bizarra híbrida, conhecerá um androide que vai abalar seu coração e aprenderá lições que mudará sua vida para sempre.
Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, a personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, farão de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer.
Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

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