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A casa das almas abandonadas


hunting_house_by_grimdreamart-d27m29iO sol do inicio da tarde ainda incomodava Samuel. Não era apenas o sol, a estação do ano talvez – outono – ou ainda o vento insistente e frio, a cor da paisagem, enfim estava incomodado. Olhou o sol, recolocou o chapéu na cabeça virando-se para trás, onde uma confusão de carros e pessoas, duas quadras adiante, chamou-lhe a atenção. Chegou a pensar em ir até lá e ver o que acontecia, parecia um acidente. Instantaneamente mudou de ideia e olhou em frente. A grande extensão da avenida das aroeiras fez com que ele perdesse de vista o seu final. Continuou a caminhar, passando e olhando as belas casas do local onde pretendia morar. A visão lhe agradava.

– Clima idiota! – falou reclamando do calor seco.

Procurou no jornal da cidade casas que alugavam quartos naquele bairro que lhe interessava e resolveu olhar algumas. Em geral eram casas antigas, construídas em terrenos relativamente grandes. Alguns proprietários levantaram belas peças de arquitetura, em geral com dois pavimentos, amplas e aconchegantes.

A casa que ele olhava de frente era desse modelo, bonita de se ver, embora uma mão de tinta não lhe fizesse mal. Afastada seis ou oito metros da pequena cerca viva que fazia o limite entre o jardim da frente com a calçada da avenida, tinha dois andares com amplas janelas de madeira e vidro, que davam um ar de aconchego ao lugar. Empurrou o pequeno portão de madeira e entrou vencendo os poucos metros até a porta de entrada, que se encontrava aberta.

– Bom dia! – Falou à senhora sentada em um banco de madeira que o olhava curiosa. A mulher sorriu e meneou a cabeça em um cumprimento.

– A senhora é a dona da casa?

Ela balançou a cabeça negativamente e voltou os olhos para uma revista de palavras cruzadas que parecia lhe entreter.

Decidiu deixá-la em paz. Olhou outra vez a porta aberta reparando em um pequeno sino colocado no batente do lado de fora. Tocou três vezes, voltando o olhar na direção da mulher que continuava a ler a revista.

– Bom dia! – Uma voz grave e ao mesmo tempo aveludada o cumprimentou.

Tomou um pequeno susto com a mulher à sua frente. Morena, cabelos longos e finos presos em um penteado em coque, olhos amendoados que combinavam maravilhosamente com o vestido rodado marrom esverdeado que ela usava. Além disso, trazia nos lábios um dos sorrisos mais lindos que Samuel já havia visto. Teve a impressão que conhecia aquela mulher. De onde seria?

– Desculpe! – Ela sorria. – Assustei o senhor.

Samuel estava desconcertado, completamente desarmado pela linda mulher e principalmente pelo sorriso.

– Não foi nada. Eu prestava atenção na senhora sentada no banco da varanda e me virei rápido demais, está tudo bem.

– É a senhora Holden – disse a mulher sorrindo – bom que já se conheceram, ela é um de nossos hospedes.

Ela continuava a sorrir educadamente esperando que ele falasse o que estava fazendo ali. Samuel levou um par de segundos para se refazer e conseguir tirar os olhos da moça.

– Vim pelo anuncio – disse mostrando o jornal – espero que o quarto ainda esteja vago.

Ela o olhou de alto a baixo, sorriu e deu uma leve mordida nos lábios vermelhos e carnudos.

– Está sim. Entre que vou lhe mostrar. A propósito, meu nome é Janaína… Jane para os que moram aqui, Sr…

– Werkler… Samuel Werkler.

Não gostou do quarto, achou-o pequeno, cama de solteiro estreita, armário de duas portas onde mal caberiam suas roupas e o pior, o banheiro era coletivo e ficava no final do corredor. Mas a janela voltada para um jardim lateral e o preço módico fizeram com que resolvesse ficar. Estava tentando se convencer que Jane não influenciou em nada sua decisão.

Descansou uma parte da tarde e resolveu sair. Antes precisava ir ao banheiro se lavar, urinar e escovar os dentes. Olhou-se no espelho do banheiro enquanto molhava o rosto e lavava as mãos, ensaboando-as cuidadosamente e, como sempre, admirou o pequeno dragão colorido tatuado em seu antebraço esquerdo. Enxugou o rosto e as mãos e vestiu a camisa.

Estranho, não se lembrava de ter almoçado e se sentia cheio. Deve ter sido o café da manhã pensou. Parou alguns segundos na porta do banheiro, olhando o corredor mal iluminado e tentando lembrar o que comera no desjejum, quando o barulho de chave girando em uma maçaneta tirou-o do devaneio. Poderia ser outro morador querendo fazer uso do banheiro coletivo. Apressou o passo e foi para seu quarto.

Guardou as poucas roupas que tinha no pequeno armário, menos o blazer preto. Vestiu-o e abriu a porta do quarto, sentindo uma brisa fria passar por ela. Um som estranho vinha do corredor mal iluminado. Prestou atenção e reconheceu o som de rodas no assoalho de madeira, uma criança ou um idoso talvez, pensou. A brisa agora estava gélida. Foi até a porta e olhou o corredor e … nada.

Voltou até a mesa do quarto para apanhar a carteira e novamente escutou o som das rodas no assoalho. Virou-se para a porta aberta e dessa vez viu um menino de uns seis ou sete anos, em um velocípede amarelo. O menino levantou do velocípede e olhou para dentro do quarto, parecendo procurar alguma coisa.

– Olá – disse tentando ser amigável.

Os olhos do menino se abriram quando viu a imagem de Samuel, como se levasse um susto. Soltou um grito agudo e estridente e saiu correndo em direção às escadas. Samuel se espantou, deixando cair a carteira. Ficou paralisado por segundos, afinal não esperava aquela reação de uma criança.

Quando se recompôs do susto, Samuel procurou pelo menino, não o achando no corredor. Desceu as escadas para se desculpar com Jane, afinal os gritos poderiam acordar quem estivesse dormindo àquela hora.

A sala ampla estava vazia e ele resolveu olhar melhor o cômodo. Paredes claras, janelas grandes ornada com belas cortinas, um jogo de sofás em couro marrom escuro com dois e três lugares e duas poltronas revestidas em tecido listrado parecendo arco íris. Uma pequena mesa de centro e no canto uma mesa quadrada e quatro cadeiras de madeira. Não tinha televisão. Mesmo assim gostou do ambiente, era o tipo do lugar aconchegante.

Voltou ao corredor e escutou vozes vindas da cozinha e um cheiro de café que lhe deu água na boca. Dirigiu-se para lá. A cozinha era espaçosa e aberta para uma área interna ainda maior, onde três mulheres estavam sentadas. Duas eram jovens e conversavam animadamente. A terceira e mais idosa, justamente a senhora Holden, apenas esboçava um sorriso. As jovens animaram-se ainda mais com a presença de Samuel.

– Suzi – falou Jane já em pé e pegando no braço do rapaz – este é Sr. Samuel Werkler. Samuel esta é Suzi Vieira, uma nova hospede, chegou pouco antes de você.

A jovem ficou séria por um breve momento, observou a mão de Samuel se levantar em um cumprimento e deu um sorriso envergonhado apertando sua mão.

– Sr. Werkler – disse a moça olhando sério para ele – lamento que nos reencontremos nesta situação, espero que o senhor possa me perdoar.

Jane se surpreendeu, não sabia que os hóspedes se conheciam.

Samuel ficou observando a moça sem entender absolutamente nada do que ela disse. Seria uma brincadeira? Talvez ela fosse mãe do menino apavorado. Estava em duvida e não sabia o que responder à jovem mulher.

– Claro que perdoo Srta Vieira. Não sei o porquê, mas perdoo – sorriu ainda sem jeito. Ela era loira, cabelos escorridos e grandes olhos azuis – Belas mulheres não precisam ser perdoadas – disse ele, enquanto saboreava uma xícara fumegante de café.

– Precisam sim, Sr Werkler – falou Suzi tristemente olhando para as próprias mãos.

– Vai sair Samuel? – Falou Jane quebrando aquele diálogo esquisito, olhando-o fixamente – Eu e Suzi vamos ir ao hospital visitar meu marido e temos medo de ir sozinhas. Sabe como é, duas mulheres ao anoitecer na rua… não gostaria de nos acompanhar? Por favor?

Não teve como negar, apesar de sentir um incômodo com a situação.

Quando chegaram ao lugar, este parecia quieto demais. Para dizer a verdade tudo estava muito quieto, poucas pessoas na rua, não viu automóveis e o hospital era estranho. Três andares com exterior amarelo claro ocupando quase todo o quarteirão. Na entrada um enorme salão com diversas cadeiras e sofás vazios e um silêncio profundo. Havia apenas um homem por trás de um balcão de madeira. Parecia escrever algo em uma prancheta e quando as duas mulheres aproximaram-se ele as olhou e mandou que seguissem no corredor ao lado, pois estavam sendo aguardadas pelo plantonista.

O corredor estava escuro. Mesmo assim as mulheres seguiram em frente e conforme andavam as luzes à frente acendiam e as detrás apagavam, passando a ele uma sensação de insegurança indescritível. Não havia vivalma no corredor. Viraram em uma enorme rampa que dava acesso ao andar superior, caminhando até uma luz fraca que saia de um dos quartos. Um homem de branco veio recebê- los.

Samuel ficou no corredor afastado alguns passos, enquanto Jane, Suzi e o homem de branco entraram no quarto. Pode ver alguém deitado em uma cama com muitos aparelhos ligados ao corpo. Aproximou-se alguns passos e observou um pouco melhor. Havia uma tatuagem no braço, por onde soro e medicamentos entravam no corpo. Conhecia aquela tatuagem.

Procurou ver melhor, quem sabe conseguiria ver o rosto do paciente. Trocou de lado na porta, mas o corpo do homem de branco impedia uma visão melhor. Deu um passo atrás conformando-se, afinal o paciente não era nada dele. Ouviu um pequeno alarme ser acionado por um dos aparelhos e um choro baixo de mulher. Jane e Suzi se abraçaram na porta do quarto. Conforme se afastava, um passo, dois, pode ver mais claramente que os pés do paciente estavam descobertos. Fixou neles seu olhar, virou o rosto e saiu devagar.

Durante o caminho de volta à casa as mulheres andavam um passo à frente em silêncio e ele olhava desinteressadamente os movimentos de seus quadris. Os pensamentos de Samuel estavam confusos. Chegando a casa despediu-se rápido e subiu, queria apenas ir para o quarto e ficar só.

Foi até a janela e ficou observando a passagem das nuvens pela lua minguante, não queria pensar em nada. Uma tristeza profunda tomou conta dele, sabia perfeitamente quem estava deitado naquela cama.

Toc – toc – toc.

A batida na porta de madeira do quarto o trouxe de volta à realidade.

– Precisamos conversar Sam – disse Jane, a voz fria como o gelo – desça, por favor.

Sam? Poucas pessoas o chamavam assim. Desceu a escadaria e foi para a sala onde estavam o homem de branco, Jane e Suzi. As mulheres estavam sentadas no sofá de três lugares e o homem de branco em uma das poltronas listradas. Sentados à mesa estavam a senhora Holden, o menino e mais outra pessoa, um estranho, que não reconheceu.

– Olá Sam – disse o homem de branco – estamos aqui a pedido da Sra. Werkler – falou apontando para Jane que tinha os olhos repletos de lágrimas enquanto olhava para ele.

Samuel olhava hipnoticamente para o homem de branco, lembranças começavam a brotar em sua mente como um filme noir em preto e branco. Lembrou-se do dia em que conheceu Jane, paixão a primeira vista, lembrou-se do namoro, quando a apresentou à sua família e conheceu a dela, os amigos e Suzi. Suzi sempre esteve lá, presente entre e com os dois. O breve noivado e finalmente o casamento.

Como podia ter esquecido?

Samuel olhou os outros na sala e todos pareciam olhar para o homem de branco, teve a sensação de que os presentes ali viam as suas lembranças.

– Sr. Werkler.

Samuel voltou a olhar o homem de branco. As vidas dele, Jane e Suzi pareciam correr paralelas, cercadas de ressentimentos e sentimentos fortes como inveja, mentiras, ódios, traições e desejo.

Sim desejo, um desejo mútuo entre ele e Suzi que crescia a cada dia, alimentado por traição, traição de Jane com outros homens e mulheres ao correr dos meses e anos. Samuel sabia, sempre soube, amigos o haviam alertado para o fato, mas ele não quis saber, estava perdidamente apaixonado por ela.

Com Suzi foi diferente, não houve paixão da parte dele, houve sim um desejo incontrolável por aquela mulher. Suzi por sua vez estava convencida que sentia amor por ele, que o desejava, um desejo pérfido quase incestuoso pelo marido de sua única amiga. Surgiam então imagens, ele e Suzi, os beijos, sua boca em seus seios, nádegas, as mãos e bocas passeando languidas pelos corpos sequiosos de desejo, sexo.

Samuel via suas vidas passando como um filme em velocidade avançada, as descobertas, as confissões, acusações mútuas carregadas de ódio e fel. Até a separação.

O tempo passava muito rapidamente na espécie de transe em que se encontrava. Um grito, outro e outro. O lugar visualizado na imagem era o quarto da casa onde elas moravam, Jane tentava ajudar Suzi a se levantar. Suzi estava ensanguentada e seminua, caída no chão. Os gritos delas eram um misto de ódio e desespero, alguém havia entrado lá.

Samuel escutou e resolveu entrar na casa, Jane o viu e o acusou da agressão, ele ficou parado sem saber o que acontecia. Suzi aproveitou o momento. Sabia que não havia sido ele, mas o ódio, o abandono e a desesperança fizeram com que ela incentivasse os sentimentos sombrios de Jane.

– Você quer dizer que eu a violentei? – Samuel falou estarrecido meio saindo do transe enquanto interpelava o homem de branco.

– Você não. Mas elas viram apenas você que chegava. Veja…

Samuel olhou outra vez os olhos do homem de branco e recomeçou a visualizar os detalhes das vidas entrelaçadas. A discussão feroz entre ele, Jane e Suzi, ele tentando explicar que acabara de chegar, mas as duas estão incontroláveis, ameaçam-no com prisão, morte. Ele jura inocência para Jane, que não existia mais nada entre ele e Suzi, que nunca havia lhe passado pela cabeça machucá-la, que havia ido até lá para se reconciliar com ela. Ele tenta ir embora e corre até o carro. Elas estão em seu encalço. Passam pela cozinha e pegam facas, entram no carro antes que ele possa sair. A primeira a atingi-lo foi Suzi, logo depois Jane. Ele, mesmo ferido, liga o carro e acelera enquanto é atingido outras vezes, até colidir em alta velocidade com um carro parado na esquina.

– O que aconteceu comigo? – Perguntou Samuel – morri? Foi o acidente que escutei esta manhã, não foi?

O homem de branco olhava as mulheres, suas reações. Outros hóspedes da casa começavam a chegar à sala, curiosos com o que acontecia. Ele continuou.

– O acidente seguido do incêndio matou Jane e Suzi na hora. Você estava no hospital ligado a aparelhos. Seu cérebro se foi, se ficasse vivo seria para sempre um vegetal.

– E agora? Perguntou Jane, olhando para Sam. Ela tremia incontrolavelmente, lembrando-se da paixão, do amor, dos planos que haviam feito para formar uma família que nunca existiu. – O que aconteceu conosco?

Samuel estava estarrecido, olhava as mulheres ainda em transe. A sala estava repleta de pessoas que olhavam paralisadas o que acontecia, sem emitir uma palavra ao menos. Seus olhos transpareciam apenas arrependimento e horror.

Samuel aos poucos toma ciência de onde está. Amedrontado e tal como Jane e Suzi, sentindo-se mais perdido e abandonado pergunta ao homem de branco.

– O que acontece agora ? 

Fim

Um conto de Swylmar Ferreira

 

Figura apenas ilustrativa retirada dos site  http://www.deviantart.com/art/Hunting-House-133719030.

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Publicado em 4 de agosto de 2014 por em Contos, Contos de Terror.

A saga de um andarilho pelas estrelas

DIVULGAÇÃO A pedido do autor Dan Balan. Sinopse do livro. Utopia pós-moderna, “A saga de um andarilho pelas estrelas” conta a história de um homem que abandona a Terra e viaja pelas estrelas, onde conhece civilizações extraordinárias. Mas o universo guarda infinitas surpresas e alguns planetas podem ser muito perigosos. O enredo é repleto de momentos cômicos e desconcertantes que acabam por inspirar reflexões sobre a vida e a existência. O livro é escrito em prosa em dez capítulos. Oito sonetos também acompanham a narrativa. (Editora Multifoco) Disponível no site da Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Editora Multifoco. Andarilho da estrela cintilante Por onde vai sozinho em pensamento, Fugindo dessa terra de tormento, Sem paradeiro certo, triste errante? E procurar o que no firmamento, Que aqui não encontrou sonho distante Nenhum outro arrojado viajante? Volta! Nada se perde com o tempo... “Felicidade quis, sim, encontrar Nesse vasto universo, de numerosas, Infinitas estrelas, não hei de errar! Mas ilusão desfez-se em nebulosas, Tão longe descobri tarde demais: Meu amor deste lugar partiu jamais!”

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Bom dia.
Aproveito este espaço para divulgar o livro da escritora Melissa Tobias: A Realidade de Madhu.

- Sinopse -

Neste surpreendente romance de ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. A bordo da colossal nave alienígena fará amizade com uma bizarra híbrida, conhecerá um androide que vai abalar seu coração e aprenderá lições que mudará sua vida para sempre.
Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, a personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, farão de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer.
Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

Novo Desafio EntreContos

Oi pessoal, o site EntreContos - Literatura Fantástica - promove novos desafios, com tema variados sendo uma excelente oportunidade de leitura. Boa sorte e boa leitura.

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